InforCEF - jornal escolar do Centro de Estudos de Fátima - nº 39, Dezembro de 2003


Escola minha, mundo meu
CANTINA
Bruno Santos, 12ºano
 
CANTINA - Vou falar-vos sobre a nossa cantina. Sim! sobre a nossa cantina.
Sei que muitos dos que neste momento lêem este texto perguntam: «sobre a cantina? mas qual o interesse?» certamente esperariam um texto sobre o mundo do desporto, ou sobre a "busca da alma gémea" temas que muito vendem e muitas horas de leitura consomem.
Mas, na qualidade de alunos do CEF é nossa obrigação dar a conhecer um pouco do nosso universo escolar.
A cantina da escola faz parte da nossa vida, muitos de nós mantêm diálogo com ela praticamente todos os dias. Outros fazem-no mais raramente, havendo ainda alguns de nós que estão zangados com ela.
Entre as doze e as catorze horas são servidas várias centenas de refeições a todos os que procuram os seus serviços com o objectivo de consumir uma refeição saudável, que ajude também no aproveitamento escolar.
Muito se tem dito e redito sobre a qualidade alimentar da cantina, porém não é meu objectivo aqui louvar ou condenar a cantina no que diz respeito à qualidade dos alimentos, confecção ou sobre o serviço.
O bom e o mau são sempre relativos, depende da perspectiva, da forma de análise e até da personalidade do "juiz" que julga. Sempre foi assim. É inerente à história e quem pensa o contrário não passa de um puro maniqueísta.
É mais útil para todos abordar a génese das críticas (críticas no verdadeiro sentido, ou seja, sem incluir juízos precipitados, que mais não são que puro maldizer) à cantina e enquadrá-las numa sequência lógica que nos ajude a encontrar respostas a importantes questões.
Quando nos referimos a um determinado almoço em que a comida não nos agradou temos de ter o bom senso de usar uma dualidade de critérios: cozinhar para centenas não é o mesmo que cozinhar para uma família de três quatro pessoas. E quem não compreender isto não tem bom senso! Tem este aspecto presente, não se pode, questionar a dedicação do corpo profissional que diariamente cozinha no CEF.
Outro ponto a analisar prende-se com o que se pode chamar de educação alimentar. Um aspecto é o que gostamos de comer, outro diferente é o que devemos comer para nos alimentarmos bem. São dois aspectos que muitas vezes convergem mas muitas outras colidem. Comer com regularidade verduras, peixe e sopa é importante numa alimentação equilibrada e nutritiva! Merendar no macdonald´s, embora tenha muita adesão, não significa propriamente alimentar-se com qualidade.
Quem reivindica melhor alimentação não quererá dizer "queremos comer o que nos sabe bem e só depois o que nos faz bem"?
Muitas vezes prefere-se terminar a refeição com fome do que digerir algo que não preenche os nosso requisitos de uma refeição de sonho.
Por outro lado, não queremos com isto dizer que as refeições da cantina são sempre o máximo em termos de qualidade e de apresentação: nada na nossa existência é perfeito... resta saber porquê?
O importante é reflectirmos sobre o que está implícito nos episódios de desconfiança que por vezes surgem em relação à comida, o que está implícito no preconceito que existe em relação à cantina, que continua a abraçar centenas de jovens por dia. Percebemos porque é que às vezes os alunos estão zangados com ela através de um diálogo fraco, mas para resolver os problemas é importante não cair na tentação de um monólogo ignorante onde os "porquês" são ignorados e a resposta consiste geralmente no que os outros dizem...
Em suma, a cantina continua a servir centenas de refeições por dia com suas virtudes e defeitos, importante é valorizar as virtudes e corrigir com esforço comum os defeitos. O mais cómodo é optar pelo mais fácil, mas isso não significa o melhor. Saber os "porquês" e procurar respostas dá trabalho, não dá!
 

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