InforCEF - jornal escolar do Centro de Estudos de Fátima -
nº 39, Dezembro de 2003
Ser
A
semente foi lançada em 1969 e, com zelosos jardineiros, germinou e
cresceu. Completa este ano lectivo 35 anos de vida, uma vida cheia de
memórias e de histórias, daqueles que, com perseverança, tudo fizeram para
que em tempo algum esta semente não desse bons frutos.
Os professores, aqueles que fizeram do acto de ensinar
o seu modus vivendi et operandi, são esta grande equipa que hoje dá
vida ao Cef, e alguns destes completaram 25 anos de serviço.
Para lhes prestar homenagem, a Direcção da Escola
comemorou no dia 8 de Outubro o Dia Mundial do
Professor, reconhecendo o contributo destes, especialmente, mas
também de todos os professores que têm contribuído para a construção da
escola do futuro. Pretendemos sempre o melhor, porque
o suficiente não chega, e o bom pode ainda ser
melhor. Reconhecer o empenho e a qualidade dos recursos humanos é
valorizar o desempenho dos profissionais.
Com um pequeno espectáculo de música e dança, este Dia
teve como convidado o Prof. Eduardo Fonseca
que traçou a história desta profissão e se centrou no papel do professor
hoje, numa sociedade educativa.
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Hoje, dia 8 de Outubro, comemora-se O
DIA DO PROFESSOR. Foi esta a data escolhida para homenagearmos aqueles que
há 25 anos se encontram a dar vida e voz a um projecto chamado CEF, projecto
que nas palavras do fazedor de palavras Mia Couto poderíamos traduzir por
História "Abensonhada", já que, sonhada, foi abençoada por Quem de direito
(leia-se quem com letra grande, de Escola Católica que somos), quis que
estivessemos hoje aqui. Estão presentes colegas que meteram o pé na vida
atrás do sonho de despertar a curiosidade e o gosto de aprender no e com os
outros. "Viver é a coisa menos frequente do mundo. A maior parte das
pessoas existem, e é tudo", escreve Joaquim Pessoa num dos seus poemas.
É esta a tarefa que nos foi proposta junto dos alunos: proibi-los de se
limitarem a existir. É esta a tarefa abraçada há 25 anos pela Teresa e pelo
Manuel Neves e há mais alguns anos pelo Padre Rodrigo, pelo Prof. Lopes,
pela Ana Maria, pelo Neves Martins, pelo Padre Sousa, pelo Franklim, pelo
Padre Marcus e por mais alguns, que ficaram pelo caminho, mas que não nos
deixaram. Construímos para elas altares aconchegadores, já que os amigos
nunca são para as ocasiões, são para sempre. E embora tenhamos perdido ao
longo deste nosso percurso alguns colegas, eu não poderia deixar de,
particularmente, e disso peço desculpa, lembrar a Arminda e o Vítor porque,
no fundo, só morre quem é esquecido. E eles fazem parte de nós, do nosso
passado, do nosso presente e do nosso futuro no CEF.
Vinte e cinco anos é muito tempo. É um longo caminho, feito de alegrias, mas também de alturas em que o desânimo substituiu o riso e a alegria, de alturas em que apeteceu arrepiar caminho e perguntar o porquê de ser professor. Não faz sentido viver se não for assim. A história do professor é a das suas utopias, ou seja, a da sua permanente insatisfação. Assim, continuaremos ter no CEF dias de clássico diagnóstico – céu muito nublado, com boas abertas.
E isto porque na vida somos nós próprios que construímos aquilo que nos rodeia, dependemos em grande parte das nossas decisões, ou, como diz Alçada Baptista "da arquitectura que soubemos dar à nossa própria vida, da quantidade de energia que formos capazes de tirar do subsolo da alma."
Recordar é um pretexto para a memória fotográfica. Recordar "é por molduras à voltada nossa vida", como diz Mega Ferreira. Todos nascemos com uma doença mortal, que é a vida, para a qual é preciso encontrar um sentido. Para Eça de Queirós seria plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. Quantas árvores plantaram os nossos colegas ao longo destes 25 anos? Quantas não deram fruto e estão hoje aqui connosco, também elas a ajudar-nos a plantar novas árvores, a prepará-las para dar fruto? Quantos livros já escreveram, quantos apontamentos ditaram, quantos exemplos já deram e que foram gravados pelos seus ex-alunos? Não se vêem esses livros porque a alma das pessoas não é visível à vista desarmada. Quanto a filhos, Nietzsche dizia que "a grandeza do Homem está em ser ponte e não um final" e é para os alunos que se têm construído, ao longo destes 25 anos, as pontes suspensas que lhes permitem, já adolescentes, chegar à outra margem.
Miguel Esteves Cardoso, no seu livro Explicações de Português, afirma que o verbo ESTAR é o mais bonito da língua portuguesa, acrescentando, mais à frente, que o verbo irmão de ESTAR é CONTINUAR. Por isso, aqui estamos todos, no presente, olhando o passado de 25 anos, na certeza que vamos continuar a trabalhar juntos no futuro. Richard Bach salientava que todos nós temos um teste a fazer... "para descobrir se já cumpriste a tua missão na terra: Se estás vivo, ainda não a cumpriste."
José Poças