InforCEF - jornal escolar do Centro de Estudos de Fátima -
nº 39, Dezembro de 2003
Uma
Esta é a minha casa, o meu mundo;
e neste meu mundo parece que tudo desabou... disseram-me que a minha mãe
foi fazer uma viagem muito longa, talvez ter com o meu pai!
Ela não se despediu de mim porque não gosta de
despedidas, sempre foi o que ela me disse!
Daqui do meu quarto, posso abrir a minha janela e observar para além do infinito. A minha janela é como se fosse um pássaro que me leva a percorrer os campos, o mar, o céu e até os sonhos. Ontem, antes da minha mãe viajar, adormeci e sonhei com a minha janela; sonhei que saltei por ela do meu quarto e que caí num poço sem fundo, numa dor sem fim, num desespero terrível. Saltei de novo por ela com o coração roxo de medo e fugi para debaixo da cama! Passaram duas horas e ainda me sentia apavorada, até que resolvi enfrentar os meus medos espreitando lá para fora... Sem saber por que razão, o meu coração acalmou, os meus lábios nasceram e os meus olhos cresceram com tamanha alegria que acabara por se apoderar de mim... Vi o que jamais imaginava ver, vi o que ninguém podia ver, vi o que sempre desejei ver... Eu vi a Felicidade!
Ela, a Felicidade, estava vestida de cor-de-rosa com uns sapatinhos brancos e com a pele brilhante, quase parecia o sol. Disse-me ela então: "Vem ter com quem te quer bem...", e eu fui... Quando acordei, continuei feliz. Agora, neste momento, vou para a minha janela e de alguma forma sinto-me ligada, através dela, à minha mãe e ao meu pai... Nunca vou fechar a minha janela aos meus pais, isso seria como fechar o meu coração à Felicidade!
Sandrina Farinha, finalista do 3º Ano, C.T.A.