InforCEF - jornal escolar do Centro de Estudos de Fátima - nº 39, Dezembro de 2003
Agora estou a voar
Mais uma vez aquela depressão,
Aquele desespero maldito…
Mais uma vez aquela sensação,
Um chorar aflito…
Aquele desespero supérfluo e profundo,
A vontade de gritar,
Aquele sufoco interior,
maior que o mundo,
Aquela tristeza mais que real,
Um soluçar…
Um espelho banal,
uma música de encontrar
Que incentiva o meu chorar…
O frio lá ora, acentua a dor,
O contraste da fogueira,
O brilho, o vermelho, o calor…
O cinzento chora no meu colo,
Lágrimas transparentes caem no solo…
O laranja e o vermelho parecem realçar,
Aquela vontade de gritar…
Adormeço exausta
com a alma nas mãos,
A chuva ainda cai,
Mas, agora, baixinho, com respeito ao meu sofrer.
E a dor vem e vai…
Que vontade de desaparecer!
A tua imagem no espelho partido
E a minha, que deve já ter morrido,
Reflectem todo um passado…
que está lá fora
No solo molhado…, agora.
A fogueira já se apagou,
A música está a acabar,
O grito já se calou.
Agora estou a voar!
Catherine, 11º I
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Amizade no anonimato
Este foi na verdade um bilhete que uma rapariga me entregou a mim, uma
sua amiga. Gostava que fosse publicado no InforCEF, com o objectivo de
mostrar a todos os jovens o que uma amizade pode significar
verdadeiramente. Esta é a dimensão da amizade que eu e ela temos uma
com a outra. Peço desculpa por mandar isto anonimamente mas não
gostava que aparecesse o meu nome, como destinatária da mensagem, nem
o dela, por a ter escrito…, e também para lhe fazer uma surpresa:
quando ela o ler, saberá compreender e eu sei que, no seu jeito, ela
vai gostar…
Sabes, minha amiga, por vezes, as lágrimas rolam no
meu rosto e tu estás sempre pronta a limpá-las; mas as lágrimas que
correm no coração são difíceis de eliminar – apenas o amor e a amizade
ajudam o nosso coraçãozinho a acalmar!
Tu és…, és…, és tu e basta seres, para que eu goste
de ti. És tu…, és e basta seres para que o meu coração já não se sinta
só: para que o meu coração acalme a dor que alguém provocou!
Obrigada por seres…
E lembra-te que o teu verdadeiro amor há-de vir;
que a tua grande felicidade há-de chegar, e para que tudo de bom de
possa acontecer (claro que os problemas não desaparecem!), mas para
atraíres coisas boas, basta seres tu a lutar, não com a força de
braços que tens, mas com a força que o teu coração te vai dar. Sim,
porque eu, como tua amiga que sou, vou proibir o teu coração de
chorar!
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Quem Sou?
Esta é, muitas vezes,
a questão que me sobressalta a mente
de forma imprescindível e irremediável.
Sou um ser em permanente transformação
(não fosse eu uma adolescente)
a vários níveis.
Sou um ser já com características próprias
que nunca haverão de mudar!
Sou uma menina pequenina, frágil e insegura.
Sou uma mulher, confiante e corajosa.
Sou orgulhosa e teimosa, sonhadora e realista.
Impulsiva o quanto baste, por defeito ou por
feitio.
Sou apaixonada…
Pela vida, principalmente.
Por um alguém, certamente…
Por um bom livro, pelas palavras…
Que me preenchem e me dão calma,
Me inspiram e afagam a alma;
Pela escrita sublime de cada olhar
Pelo escrever, pelo voar…
Por quem sou, por sobreviver
A tudo aquilo que me faz sofrer.
Por ter amizade em minha vida
Por ter um ombro em cada descida
Feroz que possa fazer, de uma nuvem
Que me faz morrer…
Tenho amparo nas quedas fatais
E só por isso sou feliz demais!
Agora perguntem, porque me descrevi assim…
Sou uma estrela indefinida,
À procura de mim!
Iniciei há pouco tempo a caminhada
para descobrir o meu próprio "eu".
Não me sei descrever muito bem…
e sempre que me sinto "aflita", "perdida"
recorro à escrita, neste caso à poesia.
Talvez o texto seja um pouco subjectivo,
mas penso que são visíveis as ideias fundamentais.
Sou um alguém que já provou a felicidade,
e que apesar de tudo, a vai provando de vez em
quando…
Catarina Henriques,11ºI
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