InforCEF - jornal escolar do Centro de Estudos de Fátima -
nº 39, Dezembro de 2003
Quem
sou eu?
N
Tenho a cabeça povoada de sonhos e de incertezas, ora distantes, ora
perigosamente perto num futuro que espreita, que se vai anunciando.
Quem sou, para onde vou ou porque estou aqui agora, são questões que muitas vezes me fazem sorrir e muitas outras vezes me fazem pensar e até desanimar!
Procuro qualquer coisa que não sei definir, talvez a essência da vida, talvez um motivo de força maior que me faça crer que este mundo vale a pena, que há sempre qualquer coisa que vale a pena.
Eu, é uma palavra tão pequena, mas ao mesmo tempo tão complexa, tão irreal…
Poderia dizer que sou feliz, ou insatisfeita, alegre ou triste, mas estaria a iludir-me, pois posso apenas definir-me como um «cocktail» de emoções e sentimentos, que teimam furiosamente em transbordar…
Às vezes, apetecia-me rasgar esta tela que é a vida, por completo, para descobrir o que está por detrás de tudo isto, o que faz a vida correr, ora apressadamente, ora lentamente.
Uma imagem que me tocou profundamente e que ainda hoje permanece na minha memória foi ver um velho pescador, sentado na areia clara da praia observando o mar, o mar que amava e que lhe golpeara o coração.
O mar, esse azul, para mim infinito e por vezes cruel, que o tomara para uma vida de lida marítima.
Por quantas tempestades teria passado?
Por que o atraía o mar?
Gostava de saber a resposta a estas e muitas outras questões que lhe vi reflectidas no rosto, naquele dia.
O mar sugara-lhe a alma, mas, no entanto, os seus olhos tinham o brilho de quem vê o mar pela primeira vez.
A vida, uma curta passagem, talvez lhe tivesse ensinado que o que fazia valia a pena, merecia o seu esforço, a sua dedicação.
A sua pele era curtida pelo sal e nos seus olhos permaneceria o mar inteirinho, para sempre.
Nunca mais vi esse pescador, mas esta imagem ainda hoje se reflecte na minha vida.
A incerteza, o medo de falhar, de não corresponder ao que a vida espera de mim, ao que Deus me reserva.
É difícil ser-se adolescente, com as «crises» que nos são características, com os sonhos, com os anseios.
Amor, ódio, amizade, esperança, tudo se mistura dentro de mim, sou um autêntico ponto de interrogação.
Não sei o que quero, não sei quem sou, mas gostava de saber!
Tenho muito para aprender, muito para viver ainda e talvez a essência da vida, a essência do mundo seja o mistério, a curiosidade, a vontade interior de buscar o verdadeiro sentido da minha existência…
Texto de Joana Rosa Ilustração de Magda Monteiro,