InforCEF - jornal escolar do Centro de Estudos de Fátima - nº 39, Dezembro de 2003

Milhar e meio de alunos

usam os transportes do CEF

A maior riqueza de uma escola são os seus recursos humanos: alunos, professores e funcionários. No Centro de Estudos de Fátima também é assim que pensamos. Mas além dos recursos humanos, que são significativos em qualidade e quantidade, o Cef orgulha-se também das suas instalações, cómodas, funcionais e limpas e da sua frota de transporte, provavelmente uma das maiores do país. Se não a maior. E se a piscina, os campos, o auditório e as salas de aula são sem dúvida espaços admirados e valorizados pelos alunos, os transportes são para muitos deles e sobretudo para os pais uma autêntica bênção, que os liberta diariamente de um compromisso de grande responsabilidade como é o do levar os filhos à escola... e a uma escola distante, que eles escolheram pela sua qualidade. É certo que nem todos os alunos do CEF usufruem deste serviço: uns por conveniência outros ainda porque não têm necessidade, pois moram muito perto da escola.
A reportagem que a seguir apresentamos consta de dois textos: no primeiro, a professora Natércia Taxa relata o que viu e ouviu - e não foi pouco - numa viagem feita no Branquinho (autocarro 27); o segundo é uma entrevista feita, pelos alunos Carolina Vieira e Rafael Pereira, com o coordenador dos transportes do CEF, Carlos Marinho.
Diariamente, é necessário que a frota esteja afinada para que a determinada hora os alunos sejam recolhidos, perto das suas casas, e cheguem a tempo do início das aulas. E à tarde é preciso levá-los ao sítio onde foram recolhidos pela manhã. Como são muitos dá para compreender que se trata de um serviço de grande importância e responsabilidade. Dirigido e entregue a pessoas competentes, como é o coordenador e os motoristas do CEF.

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Entrevista com Carlos Marinho, Coordenador do serviço de transportes do CEF.

Todos os dias muitos de nós são transportados para a escola em autocarros do CEF. É sabido que a frota de autocarros do CEF é um dos seus maiores bens, pois disponibiliza transporte para aqueles que, mesmo morando longe, optaram por estudar nesta instituição.

Para que esta rede tenha pernas para andar é necessário o esforço de muitas pessoas: coordenador, motoristas e mecânicos, que são a garantia da nossa segurança.

Fomos saber a opinião do Coordenador desta complexa rede de transportes escolares, Carlos Marinho. O que ele nos disse permitiu-nos reflectir sobre aquilo que nem sempre funciona, mas também, e principalmente, sobre aquilo que corre bem, com segurança.

 

InforCef: Qual é a sua opinião em relação a este serviço? Deduzimos que é complicado conciliar tantos factores que compõem a organização da rede de transportes?

Carlos Marinho: O serviço de transportes do CEF inclui, também, o transporte de alunos de outros estabelecimentos como a Escola Profissional de Ourém (EPO), o Colégio Sagrado Coração de Maria, o CRIF e alguns alunos do Colégio S. Miguel o que faz com que este serviço forme uma estrutura muito grande. Aproximadamente são 1500 jovens a usufruírem deste serviço, diariamente. A frota de autocarros e carrinhas que possuímos está no limite do possível para fazer face a tantos circuitos, uma vez que se vai buscar alunos a longas distâncias de Fátima, talvez as localidades mais afastadas fiquem a cerca de 50km.

IC: Horários, tantos alunos, localidades distantes, pessoal… Quais são os grandes problemas?

CM: O grande problema é, sem dúvida, os horários, porque se nas outras escolas há um horário fixo de entrada e saída, no CEF não, estamos perante horários muito mais flutuantes, o que torna complicada a gestão, nomeadamente, do tempo de condução dos motoristas, que não podem conduzir muitas horas seguidas. Depois há acrescentar o factor tempo e horários, o transporte de alunos das Escolas Primárias para as piscinas, um transporte de ida e volta. Tudo isto e por mais que existam vários motoristas faz com que alguns deles trabalhem continuamente, o que gera algumas dificuldades em relação ao factor tempo.

IC: No sentido de resolver ou de diminuir esta problemática, o que é que é feito?

CM: Tem de se fazer um estudo e um levantamento cuidado todas as semanas para conseguir, realmente, responder a estas questões.

IC: Apesar deste esforço, ainda há dificuldades na gestão dos horários, pois há alunos que só tendo aulas às 10h30 ou, mesmo, só à tarde, têm de se deslocar das suas localidades para escola quase de madrugada, pois muitos deles estão, diariamente, no CEF, por volta, das 8h ou antes. Isto porque não há possibilidade por parte dos encarregados de educação de assegurarem esse transporte nessas situações pontuais. Não seria de repensar e tentar abranger, ao máximo, todos os horários?

CM: Para fazer face a circuitos longos, tal como foi falado, alguns deles de hora e meia para vir de manhã e para ir à tarde, obriga a que alguns alunos tenham de sair de casa muito cedo, isto é verdade. No entanto, o ideal para abranger todos os horários era existir mais de que um carro por circuito, o que não é possível, uma vez que se a uma hora há muitos alunos, noutras o número de alunos é quase nulo, o que não compensaria a existência de dois carros num mesmo circuito.

IC: Voltamos à questão horários, e ao facto de virem para escola a uma determinada hora alunos que só terão aulas mais tarde. Como é que é determinado tudo isto, porque é que não poderão escolher o transporte que vem mais tarde, no caso dos que têm essa opção?

CM: Isso é complicado porque se lida com muitas turmas. Compreende-se, perfeitamente, os alunos quererem vir mais tarde, mas realmente, é complicado responder positivamente a tudo. Porque se uma turma tem três dias aulas às 8h45 e apenas dois mais tarde, há outras que têm horários opostos, e se vamos deixar o direito de escolha a alunos quanto às horas de vinda e de ida, entretanto temos autocarros superlotados a umas horas e vazios noutras, o que é impensável.

IC: Portanto, conclui-se, que é difícil a gestão disto tudo, para além de que para se assegurar, por exemplo, a segurança, temos de ter em conta o número de alunos, e realmente tem de haver regras nos horários, como se percebe perante este discurso. Em relação ao número de alunos?

CM: No final deste período, vai ter de haver rectificações em alguns circuitos, não muitos, pois a maioria tem o número certo de alunos. Um autocarro de 55 lugares pode trazer à volta de 70 alunos, desde que venham a três, portanto a lei permite esta situação. Os alunos até treze anos podem vir três no banco de dois. A legislação, também, diz que isto tende a acabar, uma vez que os autocarros, carros e carrinhas "do futuro" terão de ter cinto de segurança em todos os lugares. Então isto de irem a três não será, mais, possível. Para já, ainda é possível o que nos facilita um pouco.

IC: Enfim, algumas dores de cabeça nesta função?

CM: As dores de cabeça são próprias de qualquer profissão. Aqui estas surgem quando avaria um autocarro, quando um motorista está doente, quando há alguns problemas, mas de resto já tudo pertence a uma rotina.

IC: Alguma mensagem para os nossos leitores, alunos?

CM: Fundamentalmente que estimem os autocarros, pois estes são para eles, todos os anos se tenta melhorar a frota, por exemplo este ano temos três novos autocarros e, é um crime ver, em alguns casos, autocarros deteriorados por aqueles que, realmente, deviam zelar por aquele bem destinado aos alunos, a eles. Além disso é necessário existir respeito pelo transporte em si, e pelos funcionários, há situações de desrespeito para com eles. Não podemos esquecer que os nossos motoristas trazem diariamente a vida desses jovens nas mãos. Por isso o apelo é, exactamente, para que haja cada vez mais respeito para com os autocarros e para com os funcionários.

IC: …e para os encarregados de educação?

CM: Que estimulem os seus educandos a respeitar as ordens que são transmitidas pela escola e pelo pessoal, motoristas, funcionários. Porque, efectivamente, se querem que os seus educandos viajem em segurança, têm de os educar nesse sentido, no sentido de cumprirem as normas educativas.


Motoristas do CEF
Abílio Limões
Aníbal Pereira Santos
António Jorge Oliveira
Aquilino Santos Silva
Artur Marques Braz
Augusto Pereira Laíns
Carlos Albino Henriques
Carlos Manuel Pereira
Dinis Santos Reis
Francisco António Silva
Francisco Augusto Manuel
Henrique Vieira Marto
Joaquim Vieira Frazão
José Francisco Ferreira
José Manuel Melo Pereira
Luciano Vieira Pedro
Luís Manuel Silva
Manuel Catarino
Manuel Pereira
Nuno Miguel Vieira Almeida
Paulo Jorge Prazeres
Rogério Gomes Valinho

 

Estes funcionários têm sob a sua responsabilidade 16 autocarros (dois dos quais também ao serviço do CRIF) e 10 carrinhas de 9 lugares (4 das quais ao serviço do CRIF). A rede de transporte do CEF abrange os concelhos de Ourém, Leiria, Batalha, Porto de Mós, Pombal, Alcanena, Torres Novas, Entroncamento, Vila Nova da Barquinha e Tomar.

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