Conversas com a Psicologia...
Com o tempo...
NO
CENTRO
PRISIONAL
DE
LEIRIA
No
âmbito da disciplina de Psicologia Social, foi-nos proposto pelo Dr.
Fernando uma visita à Prisão-Escola de Leiria.
Isto para
nós não foi um convite mas sim um desafio, pois desde o dia em que se falou
sobre isso
não
pensámos noutra coisa…
Foi então
que chegou o dia, e a visita começou depois de um almoço no ISLA, que nos
permitiu
um pequeno
contacto com o ensino superior. Ao chegarmos ao Centro Prisional, fomos
recebidos
à entrada
por um guarda que controlava as entradas e saídas das instalações: aquilo é
enorme e tudo bem arranjado.
Ficámos
admiradas…
À nossa
espera estava a esposa do Dr. Fernando, que é Psicóloga nesse mesmo local e
é muito
simpática.
Estávamos em pulgas: foram-nos dados alguns avisos e aí fomos nós para o
Pavilhão Livre de Drogas, onde os reclusos tinham idades compreendidas entre
18 e 24 anos.
Fomos
muito bem recebidas, o que já era de esperar, pois todos eles eram rapazes e
nós éramos
quase
todas raparigas.
Depois de
todos serem apresentados, surgiu o espectáculo que tinham preparado para
nós: foram
contadas
anedotas, citados poemas e cantadas algumas canções…
Tudo
espectacular! Houve momentos para rir, outros que nos tocaram bastante, pois
os poemas que eles nos dedicaram eram muito comoventes: falavam da vida, da
liberdade e sobretudo do amor; enfim, tudo o que lhes era restrito no
momento em que vivem.
No
entanto, vimos neles muito interesse e muita vontade de encarar a vida. Eles
têm consciência
que
cometeram erros e que estão a pagar por isso, mas demonstraram que ali
estavam pessoas
recuperadas para encarar a liberdade com uma perspectiva de respeito pela
sociedade. Muitos deles aprenderam a ler e a escrever na prisão, o que nos
impressionou bastante; para além disso, estão a aprender a trabalhar, a
estudar, a dar valor à liberdade e à vida.
Visitámos
as celas deles onde se salientavam as decorações…. Para finalizar, fizemos
um pequeno lanche, onde tivemos oportunidade para conviver ouvindo uma boa
música e sempre com boa disposição. Foi impressionante a forma cordial com
que fomos recebidos.
Mais
triste foi a despedida, nós saímos para o nosso imenso mundo, eles
continuaram no seu pequeno espaço que, apesar de tudo, não deixa de ser um
espaço de muita esperança.
Andreia Ribeiro 12ºI
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Tópicos
DISLALIAS
ò
São perturbações na articulação de um ou vários fonemas, por substituição,
omissão, acrescentamento ou distorção dos mesmos.
DISGLOSIAS
ð
São perturbações na articulação dos fonemas devido a lesões físicas ou
malformações nos órgãos implicados na fala.
DISARTRIASø
São perturbações da articulação e da palavra devido a lesões no Sistema Nervoso Central, que afectam a
articulação de todos os fonemas em cuja emissão intervém a zona lesionada.
DISGRAFIA
ò
Escrita manual extremamente pobre ou dificuldades de realização dos movimentos
motores necessários à escrita. Esta condição está muitas vezes ligada a
disfunções neurológicas.
DISLEXIA÷
É
uma dificuldade específica ao nível da leitura, que se manifesta pela
dificuldade em aprender a ler.
Problemas motores ou visuais, falta de dominância cerebral, alterações em zonas
específicas do
cérebro, são consideradas eventuais causas para a dislexia.
ô
Estes pequenos tópicos são apenas uma forma de se tomar contacto com alguns
conceitos usados
frequentemente e que podem ser encontrados nos nossos alunos. Porém, fazer um
diagnóstico implica
um
conhecimento profundo acerca de qualquer uma destas problemáticas, afim de se
fazer um diagnóstico correcto.
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Julieta, dia vinte e dois, vou com as Meninas à Prisão-Escola de Leiria,
queres ir connosco?.
Foi desta forma que o Fernando, o psicólogo, me dirigiu o convite;
referia-se à turma do Curso Técnico
Aplicado aos Serviços Pessoais e à Comunidade. Aceitei de imediato, contudo,
próximo da data da visita, estive quase a desistir, pois o trabalho ainda
era muito. Felizmente, fui!
Foi
uma visita que
mexeu
com
todos nós, não apenas porque o Natal era dali a três dias...
As
“Meninas” já estavam a estagiar nos Postos de Trabalho e tanto eu como o
Fernando andávamos muito atarefados - não houve tempo para me informar sobre
o modo como iria decorrer a visita e quais os seus objectivos. Aceitei pela
curiosidade e na expectativa (que se concretizou) de que poderia ser uma
experiência enriquecedora.
A
surpresa começou logo à chegada: a ideia que temos de um guarda-prisional é
de rigidez (e tem de a ter, sem dúvida), mas fomos cortesmente recebidos;
entrámos e toda aquela extensa área que está para além dos portões continuou
a surpreender - quando passava ali perto, parecia-me que haveria apenas um
edifício central (racionalizando, era uma imagem totalmente descabida…), mas
na realidade aquela enorme área tem diferentes pavilhões, alguns deles
destinados à prática de diferentes actividades e mesmo ao Ensino Recorrente,
daí a designação de Prisão-Escola. Caminhámos pelo recinto, enquanto a
directora nos ia informando sobre o funcionamento da prisão, até que nos foi
indicado o pavilhão que iríamos visitar.
Entretanto, já sabíamos que íamos visitar reclusos que tinham tido problemas
com drogas, mas que tinham decidido desfrutar da oportunidade de optar por
uma nova vida; que poderíamos dialogar com eles e que os que entravam
naquela prisão não podiam ter mais de vinte e dois anos...
A
visita começou a não se afigurar fácil...
Entrámos no pavilhão, depois de termos deixado os nossos haveres numa
salinha. (...) Passámos para a sala de convívio sem nada de material, mas
com o espírito aberto para o que aquela tarde nos poderia oferecer.
Sentámo-nos num conjunto de cadeiras dispostas como se de uma plateia se
tratasse; à nossa frente, estava um
palco
ainda vazio e, ao nosso lado esquerdo, um conjunto de jovens, todos do sexo
masculino, que timidamente nos olhavam.
O
desconforto começou a dissipar-se. Nós éramos um grupo maioritariamente
receoso, mas também curioso e bem disposto; eles tinham sobretudo
sede
de
contacto com o exterior. Esperávamos um diálogo e fomos presenteados com um
espectáculo de pequenos
sketches
humorísticos, música e declamação de poesia preparado
em segredo
para
nós. Foi a nossa (deles também) festa de Natal!
Ânsia de partilha
A
timidez e a insegurança foram a tónica, mas mais importante que elas, foi o
que nos conseguiram transmitir: uma surpreendente alegria de viver, uma
vontade notória de que o seu esforço fosse reconhecido, um enorme desejo de
nos agradar! A música, o riso...
Seguiu-se o diálogo: as respostas à nossa curiosidade - ali, o recluso mais
velho tem apenas vinte e sete anos...; ali há jovens que se iniciaram no
crime com treze anos (e crimes muito graves)...; ali todos têm a noção que
há etapas da sua vida que não vão poder ser
queimadas
do
modo que naturalmente os jovens livres o fazem, mas parecem ter também a
noção de que o importante é aproveitar esta lição de vida.
O
convívio à mesa composta com alguns
agrados
que
leváramos foi ainda mais revelador e criador de algumas paixonetas (as
alunas são lindas e simpáticas, os reclusos pessoas desejosas de atenção).
As revelações eram
tocantes:
alguns tinham aprendido a ler e a escrever ali; outros eram já pais há algum
tempo (demasiado para a idade que têm); outros ainda já haviam fugido e
regressado, pois haviam descoberto (ou alguém os ajudara a descobrir) que o
melhor para prosseguirem as suas vidas de
cabeça levantada
e em
paz era
pagarem a sua dívida
à
sociedade...
Já
na recta final da visita, pudemos contactar com o espaço mais íntimo dos
reclusos a sua cela (alguns optaram por resguardar a sua privacidade). No
espaço partilhado ou não, a televisão, algumas vezes a pequena aparelhagem
de som, mas sempre as fotografias da família, dos amigos mais próximos, da
namorada, da companheira e dos filhos.., misturadas com fotos femininas
dignas da
Playboy..
Esperava alguma resistência a esta partilha de um espaço tão pessoal, mas
tal não se verificou era como se quisessem mostrar que a prisão é uma
passagem, talvez a tal
ponte de passagem para a outra margem
onde
está a vida que interromperam...
Estávamos já no momento da despedida quando um daqueles rapazes me chamou:
S’tôra, queria oferecer-lhe este poema.
Aceitei-o e dei-lhe um beijo de agradecimento era o poema que havia
declamado com todas as suas dificuldades de pronúncia, mas toda a sua ânsia
de partilha. (...)
Deixei-lhe a promessa de que o tentaria publicar no jornal da nossa escola
por isso, este texto. Porque acredito na sua publicação, quero-vos deixar o
meu pedido de desculpas por já
não
recordar os vossos nomes, mas sim os vossos rostos, as vossas palavras e,
PARA SEMPRE, a fantástica experiência que me (nos) proporcionaram!
Espero que essas instalações sejam realmente apenas a ponte para uma vida
melhor que aí descubram merecer ser vivida, COM O TEMPO...
Julieta Nunes de Figueiredo
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