O Departamento de História, em colaboração com o Departamento
de Artes, promoveu no passado dia 22 de Abril, a recriação de um dia árabe em parceria
com entidades locais. A iniciativa, primeiramente programada para se realizar no
mercado de Fátima, foi, devido ao mau tempo, transferida para o Pavilhão
Desportivo do CEF. Os objectivos eram dar a conhecer os contributos da
Civilização Muçulmana para a Civilização Europeia no âmbito da língua, ciências
e tecnologia, arte e urbanismo, cultura e gastronomia. Dar a conhecer marcas da
presença muçulmana no território nacional e local, fomentar o respeito pela
diversidade cultural e pelos direitos fundamentais da humanidade.
Para a realização desta actividade foi essencial o apoio da Delegação Oficial do
Turismo de Marrocos em Portugal, que deslocou para o evento uma representante e
enviou tendas e material promocional, bem como o apoio da Junta de Freguesia de
Fátima que também disponibilizou meios humanos e que preparou a zona do mercado.
O evento decorreu entre as 15 e as 21 horas, com a exposições de trabalhos
realizados pelos alunos do 3º Ciclo e Secundário, sobre ciência e tecnologia,
arte, urbanismo, valores e língua.
A iniciativa contou com a colaboração de lojas, pastelarias, Escola Profissional de Ourém e Livraria Arquivo, que colocaram à disposição dos visitantes produtos do artesanato, doçaria, chás, ervas aromáticas, literatura árabe. Passeando pelo espaço, foi possível saborear bolinhos com chá de menta quente em cima dos tapetes árabes, sentir os aromas exóticos, ler um livro, comprar uma peça de bijutaria ou de artesanato, participar em experiências de alquimia.
Na preparação do evento decorreu uma Visita de Estudo à cidade de Mértola pelos alunos do Secundário. Fizeram-se pesquisas gastronómicas apresentando-se algumas sugestões à EPO que as realizou, como o Khobz (pão ázimo de farinha integral), as Fatias Douradas Marroquinas, os biscoitos de amêndoa, entre outros. A fim de arranjar fatos e demais adereços para vestir os nossos alunos e professores, foram várias as vezes que nos deslocámos a Lisboa a lojas especializadas.
Os alunos e professores aderiram com entusiasmo vestindo-se a rigor, trazendo objectos, participando nas recriações musicais. Com particular esforço foi possível montar duas tendas de beduínos dentro do Pavilhão que ajudaram a criar o ambiente.
A abertura do dia árabe foi da responsabilidade do Grupo de Percussão do CEF, orientado pelo Prof. Jorge Gonçalves, prosseguindo a animação com sucessivas apresentações do grupo feminino de danças do CEF, com danças do ventre. Decorrem em simultâneo concursos de dança e de roupa, cujos premiados foram:
Ao longo de toda a tarde, a música e a dança foram uma constante.
Foi uma actividade muito participada por pais e encarregados de educação e demais visitantes. Honraram-nos com a sua visita alunos do Externato São Domingos e de Escolas Primárias, representantes dos restantes Colégios de Fátima, bem como das autoridades locais, nomeadamente em representação da Câmara Municipal de Ourém, Dr. Vitor Frazão, Dr. Mário Catarino e Dra. Ana Saraiva, o Presidente da Junta de Freguesia de Fátima, Prof. Graça, e o Chefe dos Bombeiros de Fátima.
A iniciativa mereceu destaque nos órgãos de comunicação locais e regionais e teve uma referência na TVI, pelo Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, no seu programa semanal. A promoção do evento fez-se através de convites e de cartazes, elaborados pelo Prof. Luís Cunha, e de desdobráveis.
A pretensão de falar do Islão, da cultura islâmica e dos valores por ela preconizados, parece-me, no meu entender, uma tarefa difícil, uma vez que todas estas questões remetem para uma única: Afinal o que é o Islão? Todos sabemos que o Islão é o resultado de culturas e subcivilizações distintas. Assim, tentar caracterizá-lo, demarcá-lo e distingui-lo de outras, requer um trabalho de investigação fascinante, sem dúvida, mas penalizante para uma mente meramente interessada por um assunto assaz interessante. Para já, cumpre-me referir uma curiosidade respeitante ao que comummente se designa por cultura ocidental. Nesta, a vida é talvez considerada o bem mais precioso; para um cristão, é uma dádiva divina pela qual devemos dar graças. Para os islamistas radicais, a vida é um instrumento que devemos sacrificar em nome de Alá. Bem, mas falar em islamistas radicais pressupõe indagar outro problema próprio das sociedades actuais: o terrorismo, problema esse que não se identifica com a defesa da paz, defendida por parte substancial das comunidades muçulmanas. Deste modo, não faz sentido afirmar a existência de choques civilizacionais, nem tão pouco a de conflitos axiológicos.
As culturas enriquecem-se na sua diversidade e a “amostra” facultada à
comunidade educativa da nossa escola é um exemplo da sã e gratificante
convivência de valores, formas de estar, de sentir, e de viver diferentes,
exteriorizadas pelos nossos alunos, educados nos padrões ocidentais.
Não há um só aroma, mas muitos perfumes!
É necessário recuar ao século VIII para detectarmos um povoado efectivo na região, sem certezas, no entanto, ao estudarmos a Toponímia, verificamos que Fátima é de origem árabe, provavelmente proveniente de faT(i)mâ, al-khaTimâ = cabeço, ou de um outro vocábulo, Al-Khatima = fim, termo. Na opinião do Dr. Luciano Cristino, esta última explicação é legítima, tendo em conta que as antigas delimitações de Leiria incluíam algumas povoações de Fátima.
A tradição, porém , é pródiga em histórias de encantar, tal como nos conta Frei
de Brito, na Crónica de Cister; Segundo a lenda, Fátima era o nome de uma bela
moura que teria sido raptada pelo nobre Gonçalo Hermingues, convertida, depois
de casar, ao cristianismo e baptizada com o nome de Oureana.
Portugal, no período da islamização do al Andaluz, entre os séculos VIII e X, foi palco de um cruzamento de saberes e costumes, próprios dos povos que aí habitavam, reflectindo-se no urbanismo, de cariz intimista, nas galerias de arcos e colunas, nos edifícios encimados por minaretes, nos grandes pátios interiores, no casario das mourarias e nas igrejas moçárabes com os seus mosaicos e azulejos policromados, característicos da arte mudéjar.
O topónimo dos lugarejos, invariavelmente começado por Al, as técnicas de regadio e a cerâmica decorativa, são indicadores da presença muçulmana no território e imprescindíveis para a compreensão da civilização mediterrânica.
Os muçulmanos, na sua expansão territorial, entraram em contacto com
civilizações diversas em especial com as da Grécia, Bizâncio, Pérsia, China e
índia.
Dessas importantes civilizações traduziram para árabe textos de medicina,
matemática, astronomia, ciência náutica e filosofia. Criaram escolas e
bibliotecas.
Vão desempenhar um papel de transmissor de várias invenções como por exemplo o
fabrico de papel, pólvora, bússola e o astrolábio, vela triangular e a caravela,
sistemas de rega como a picota.
Contribuíram para o desenvolvimento de várias ciências como a medicina (textos de Avicena), a física, a química e a matemática (basta pronunciar a palavra “álgebra” ou o sistema de numeração os algarismos, por exemplo). Foi notável e brilhante o seu desenvolvimento cultural e científico presente em tantos exemplos.