RECUPERAR
A HARMONIA DA NATUREZADisse Deus: “façamos o homem à nossa imagem e semelhança, e que ele submeta
os peixes do mar, os pássaros do céu, os animais da terra e todos os seres
vivos! Deus criou o homem e a mulher, abençoou-os e disse: crescei e
multiplicai-vos, enchei a terra e dominai-a!... Deus viu que tudo o que tinha
feito era muito bom”.
Partindo deste texto da Bíblia, do Livro do Génesis, percebemos a magnífica
harmonia que transparece desta obra maravilhosa da criação do homem e da
natureza. Esta integração perfeita permitirá ao homem criar a sua história e
atingir a verdadeira felicidade.
No entanto, aparece logo, de seguida, outro texto que nos descreve a recusa desta harmonia pelos nossos primeiros pais. Instala-se uma nova ordem que nega a autoridade de Deus. O homem tornou-se transgressor introduzindo o mal no mundo. Abriu-se a porta a todo o erro e falsidade.
Deus teve então que encontrar um meio para remediar esta situação de revolta criada pelo homem. Promete enviar o seu Filho Unigénito para restaurar a harmonia perdida. Cristo ocupa assim, neste momento, o papel de regenerador, de guia e de mestre. Ele é o grande Mestre da humanidade. A sua vida, a sua palavra, o seu exemplo são o caminho para a obtenção da harmonia que a criação tinha perdido.
Vivemos numa sociedade do bem-estar e do consumo, onde as ideias do progresso e da prosperidade assentam numa exploração exagerada da natureza. São três os elementos que contam para o homem do nosso tempo, a ciência, a técnica e a economia industrial. Conjugados entre si estes elementos têm provocado a destruição sistemática da natureza e contribuído para a perda do equilíbrio que Deus tinha colocado na obra da criação. Este desequilíbrio afecta as relações do homem com a natureza e, até as próprias relações entre os homens. Uma ordem artificial substitui a ordem natural.
É urgente modificar o nosso comportamento e criar uma sociedade respeitadora da natureza e assim recuperar, de novo, a harmonia perdida, os direitos humanos universais atingindo a autêntica cultura da paz. Para atingir esse objectivo é imperativo que nós, povos da terra, declaremos essa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.
A capacidade de recuperação da vida que a natureza recebeu no momento da criação
encontra-se afectada e, é preciso recuperá-la, defendê-la e estimulá-la para o
bem da humanidade...
É necessário formar uma aliança para cuidar da terra e uns dos outros, ou
arriscamos a nossa destruição e a diversidade da vida. São necessárias mudanças
fundamentais dos nossos valores, instituições e modos de vida...