Eles, se quiserem,
também podem voar...1- O seu primeiro sonho de infância era seguir uma carreira militar?
R: Não me lembro de ter tido, na minha infância, nenhum sonho especial. O que
sempre tive foi um gosto especial por novas tecnologias e sistemas
tecnologicamente avançados. A Força Aérea podia proporcionar-me tudo isso, daí a
minha opção.
2- Que outros sonhos tinha para além desse?
R: Como já disse, não tive sonhos. Tive sim vontade de aprender muita coisa,
entre as quais música, electrónica...3- Há quantos anos trabalha na Força Aérea?R: Trabalho há cerca de 23 anos.
4- Quais são exactamente as funções que desempenha?
R: Sou mecânico de E.C.S ( Envirmental Control System) e Lox (Liquid Oxygen
System) no avião F-16 A/B.
5- Já alguma vez se viu obrigado a socorrer ou preparar algum avião em perigo?
R: Os aviões de guerra contêm os perigos relacionados com os produtos que
transportam. Assim, sempre que estamos a fazer trabalhos de manutenção, o perigo
existe. Por isso, é necessário ser rigoroso e cuidadoso, respeitando,
rigorosamente, as regras de segurança.
6- Há, na sua vida profissional, algum episódio/ experiência mais marcante?
R: Há vários. Durante a guerra no Kosovo, os aviões F-16 deslocaram-se para uma
base americana na Itália com o intuito de apoiar a NATO nesse conflito. Junto
com os aviões, foi uma vasta equipa de mecânicos, entre os quais eu me incluía.
Todos os dias, bem cedo, entrávamos na base pela “porta de armas”, onde era
verificada sempre a nossa identidade. Já tínhamos reparado que existiam nomes
nos cartões de identificação que não estavam completamente correctos, mas não
ligámos. Um dia, muito cedo, lá fomos de novo; o polícia americano era dos
implacáveis, verificou a nossa identidade com o máximo rigor, detectou o erro
nos cartões e não nos deixou entrar. Estivemos retidos três horas. A incorrecção
era a troca de alguns “as” por “os”.
7- Qual é a sensação de andar de avião?
R: Gosto de reparar os aviões, não me fascina viajar neles. A visibilidade é
praticamente nula, por isso a sensação é de indiferença.
8- Já alguma vez andou num caça?
R: Não, embora já tivesse tido oportunidade. Prefiro viajar de helicóptero,
porque existe ampla visão para o exterior.
9- Já participou alguma vez em missões em outros países?
R: Sim.
10- Quais?
R: Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos, Holanda...
11- O mundo está em guerra e a Força Aérea, vê-se frequentemente “empurrada”
para conflitos. Que mensagem gostaria de deixar aos “Senhores da Guerra”?
R: Gostava de lhes dizer para parar e pensarem nos que sofrem, mas reconheço que
eles não quereriam ouvir, uma vez que a economia dos seus países vive muito à
custa da guerra.