Eutanásia!? Não, Obrigado!Desde os tempos mais remotos que é praticada a eutanásia embora só no tempo moderno nos tenhamos dado conta da importância deste tema que, cada vez mais, envolve um lado sentimental e uma dimensão humana de grandes proporções.
Será, então, a eutanásia o provocar de uma morte digna ou o fim da dignidade da vida de alguém?
O termo eutanásia significa, literalmente, “boa morte”, uma morte não dolorosa e sem mágoa, algo por que todo o ser humano anseia! Mas a exposição desta questão prende-se com os valores que se ‘‘põem em jogo” ao efectuar este tipo de morte.
Estes valores que se põem em risco fazem-me defender que a eutanásia é uma das
formas de retirar a dignidade da vida de alguém, quer de quem morre, quer de
quem a põe em prática.
É uma forma de tornar uma vida indigna, pois desrespeita-se o dom que é a vida. Logo, ninguém tem o direito de danificar a vida de outro ou a de si mesmo, sendo considerado o suicídio tão grave como o homicídio e desrespeitando-se a lei “Não matarás”. O direito à vida está consagrado na Declaração Universal dos Direitos Humanos, especialmente nos artigos terceiro e quinto, segundo os quais, “todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança da sua pessoa” e “ninguém será submetido a torturas nem a penas ou tratos cruéis, inumanos ou degradantes”. Até no judaísmo são permitidas quebras de tradições ou cerimónias importantes para que se possa prolongar a vida nem que seja apenas por alguns minutos, devendo salvaguardar-se, principalmente, a vida daqueles que não podem decidir o que fazer com ela.
No entanto, não é menos verdade que as pessoas que pedem a eutanásia são , na sua maioria, doentes terminais que já não têm hipóteses de cura e que estão sujeitas a grandes dores, mas também não é menos verdade que devem ser analisadas a necessidades globais de cada pessoa doente, e as possibilidades que a medicina actual oferece.
Muitas vezes, o pedido da eutanásia é, não um acto de desespero, mas um pedido de atenção para que se fomente a criação de condições que tornem a vida mais humana mais suportável, minorando dores e proporcionando uma presença dialogante. Está também provado através de estudos que 25% dos doentes que pedem a eutanásia são doentes que não sofrem de qualquer doença incurável, mas de doenças do foro psiquiátrico, entre outras. Outros 25% são doentes que, por várias razões, não pedem expressamente que lhes seja aplicada a eutanásia, o que permite uma certa limpeza social, transformando o médico em carrasco e o paciente em sentenciado de morte, excluindo os “velhos inúteis”, os deficientes e outros que se tornem indesejáveis à sociedade e a família.
Há ainda os que defendem que a eutanásia é um acto de misericórdia, mas não o é verdadeiramente. E um acto de cobardia, de indiferença e de comodismo numa sociedade que não está para se preocupar com as vidas incómodas e que evita enfrentar e aceitar a doença como parte integrante da vida suprimindo esta e evitando que a ciência descubra métodos de tornar a doença curável ou, pelo menos, suportável. Afirmamo-nos, assim, contra a eutanásia e todos os perigos que dela derivam como, por exemplo, a destruição de um dos mais importantes se não o mais importante de todos os valores: a vida.