Por Diogo Meio, 110A
Quando pensamos em filosofia vêm-nos à cabeça, entre outros, dois nomes: Aristóteles e Platão, dois grandes filósofos que, apesar de antigos, ainda hoje nos influenciam e tomam parte activa na nossa vida. Numa altura em que o ensino em Portugal tem vindo a sofrer várias reformas educativas, há uma disciplina que tem tido especial atenção e cuja presença obrigatória no ensino secundário tem gerado grande controvérsia. Falo, claro, da filosofia, disciplina cujo valor formativo tem vindo a ser contestado, mas, apesar de tudo, tem-se mantido como disciplina de leccionação obrigatória no secundário. Devido a todas estas razões interessei-me por este tema e venho por este meio discuti-lo.
Terá a filosofia um valor formativo tão importante que justifique a sua permanência como disciplina de leccionação obrigatória no secundário?
Esta questão tem sido colocada não só pelos responsáveis da revisão curricular de que o ensino tem sido alvo, mas também pelos próprios alunos tendo estes visões diferentes sobre o assunto e apresentado cada um uma opinião diferente.
Defendo que a filosofia tem um tal valor formativo que justifica a sua leccionação obrigatória no secundário.
Todos nós temos várias potencialidades e, apesar de as termos durante toda a nossa vida, não deixa de ser necessário que sejam aperfeiçoadas. E esse o papel da filosofia: aperfeiçoar as nossas potencialidades. A filosofia ensina-nos a organizar o pensamento e a melhor expressá-lo, de forma mais coerente. Desenvolve-nos também as capacidades de análise, o espírito crítico e as nossas técnicas de argumentação, dando-nos assim uma maior cultura humanística. A filosofia abre-nos a mente para o mundo e ensina-nos a melhor compreendê-lo e às suas manifestações estéticas e culturais. Vamos também tentar perceber aqui qual é o papel que a escola pretende assumir na vida de um aluno. Se a escola pretende apenas fornecer o conhecimento técnico a um aluno, transforma-o num técnico altamente especializado mas, do ponto de vista cultural, num bárbaro inculto. Ou se pretende a escola formar o aluno, tanto no ponto de vista técnico como cultural, porque, se sim, e parece-me que e óbvio que é esse o papel que a escola procura ter na vida de um aluno, a filosofia tem um papel indispensável no programa escolar.
Desde pequenos que pensamos, pois a atitude filosófica é comum a todos e como António Gramsci defendia, todo o homem é filósofo. Sobre este ponto de vista não se justifica uma leccionação obrigatória da filosofia no secundário.
Não pretendo aqui provar que as pessoas a quem não é leccionada a filosofia não sabem pensar, pois a filosofia apenas desenvolve as nossas capacidades. Todo o ser humano sabe filosofar, mas é um filosofar espontâneo, que muitas vezes resulta em erros que não aparentam existir, tornando-se falácias que, por exemplo, na época eleitoral são utilizadas pelos políticos nos seus discursos e das quais a maior parte das pessoas não se apercebe. Ao ser-nos leccionada a filosofia, desenvolvemos a capacidade de nos apercebermos desses erros, o que nos possibilita depois tomar uma decisão mais acertada na altura de voltar.
Apesar destas vantagens, a filosofia representa uma maior carga horária escolar para os alunos que, muitas vezes, se queixam da dificuldade da disciplina, apontam-na como uma das causas do insucesso ao nível do secundário e dizem não lhes alterar a formação social em nada.
Relativamente à carga horária, é perfeitamente aceitável face às vantagens da filosofia. Em relação à dificuldade, tudo depende da maneira como se define fácil e difícil. Se fácil é tudo o que exige pouco esforço, e difícil tudo o que exige muito empenho e trabalho, logicamente a filosofia exige trabalho como todas as outras disciplinas no secundário, um aluno só sentirá transformações em si se encarar a filosofia como um trabalho de reflexão e rigor, como um exercício dinâmico, o que não se verifica com a maior parte dos alunos que encaram a filosofia apenas como um exercício de confirmação daquilo que já é familiar para eles.
Concluo que, apesar das poucas desvantagens, o valor da filosofia no secundário é evidente e constitui um elemento fundamental na formação de um cidadão com atitudes e reflexão, e com capacidade de compreender as manifestações culturais e estéticas, e desenvolver raciocínios, ou seja, para melhor desempenhar o seu papel na sociedade de hoje.