
Foi no final do 2º período, mais concretamente no dia 2 de Março de 2004,
pelas 8:20 h da manhã, que nós, os alunos do Curso Profissionalizante de
Electricistas de Instalações, acompanhados pelos nossos professores das
disciplinas de formação tecnológica, saímos do CEF em duas carrinhas rumo à
Central Termoeléctrica do Pego - Abrantes.
Tomámos o sentido de Fátima-Minde-Abrantes e, sem paragens pelo caminho, em
pouco tempo, pusemo-nos no Pego.
As grandes chaminés que já tivéramos avistado ao longe pareciam-nos, agora,
ainda maiores. Não admira, pois têm 90 metros de diâmetro de base e 115 de
altura.
Para que se perceba a dimensão da área onde está instalada a Central, referimos
que uma parte considerável da visita guiada foi efectuada nas carrinhas.
O princípio de produção de energia é simples. Em 1831, Michael Faraday demonstrou que se produz electricidade quando um laço de arame é rodado dentro de um campo magnético. Embora numa escala maior, é precisamente este o princípio utilizado por uma Central de produção de electricidade. Na Central do Pego utiliza-se como combustível carvão, um recurso natural não renovável. A energia daí resultante é convertida em electricidade. Para tal, a Central possui dois grupos produtores de energia eléctrica, equipados cada um deles com um gerador de vapor, um grupo turbina-alternador e um transformador principal. Os grupos são idênticos, com uma potência unitária de 314 MW. Em condições de utilização plena dos dois grupos com uma disponibilidade média de 99%, a Central do Pego garante uma produção anual superior a 5.000 GWh.
A electricidade é gerada primeiro a 18.000 volt e convertida depois para 400.000 volt, por transformadores, antes da sua passagem para a Rede Eléctrica Nacional (REN). A capacidade de produção da Central do Pego é suficiente para satisfazer as necessidades de cerca de um milhão de pessoas.
Vindo de várias partes do mundo, o carvão chega primeiramente ao Porto de Sines. O seu transporte até à Central do Pego faz-se em vagões, por caminho-de-ferro. Aí, é descarregado pela base dos vagões e levado em telas transportadoras cobertas para silos, no interior da Central ou para o Parque de Carvão, no exterior, onde se efectua a compactação e, quando necessário, aspersão com água para evitar a emissão de poeiras de carvão.
Na caldeira a água é aquecida de forma a produzir vapor a alta temperatura (535 °C) e a alta pressão (167 bar). A energia existente neste vapor é usada para fazer rodar as pás da turbina que, por sua vez, acciona o gerador para a produção da electricidade. Após expansão na turbina, ao passar pelo condensador, o vapor transforma-se novamente em água que é depois reenviada para a caldeira, reiniciando-se assim o ciclo. A água usada para arrefecer o vapor no condensador circula em circuito fechado a fim de diminuir a quantidade de água consumida. As torres de refrigeração arrefecem-na com água do rio e lançam dos seus topos o vapor de água daí resultante. Mais de 40% da água captada volta ao rio ligeiramente mais quente, sem, no entanto, produzir um impacto significativo na temperatura da água do rio. A água para o consumo geral é captada no rio Tejo. A água potável produz-se a partir da extracção num furo localizado nos terrenos da Central.
Deixando para trás uma Central que recorre a um tipo de energia não renovável para transformação em energia Eléctrica e, depois de um piquenique, rumámos a Mação, onde encontrámos, bem no alto da serra, uma Central que usa, para os mesmos fins, uma fonte de energia renovável – o Vento. É certo que a capacidade de produção é bastante inferior mas, mesmo assim, não deixa de ser impressionante; um aerogerador tem uma potência de cerca de 600 KW e uma altura não menos impressionante, 50 metros, mais 25 de pá. Certos de que aprendemos muito com esta visita de estudo, regressámos à escola por volta das 17 horas, trazendo connosco a vontade de um dia rever os locais que visitámos.