
Por Alexandre Estêvão
Desafiámos os professores a “publicarem”
aulas verdadeiras, como se estivessem a falar na Rádio. E já tivemos uma
resposta que julgamos muito interessante e útil para todos os leitores. O Prof.
Alexandre Monteiro Estêvão enviou-nos a versão escrita não de uma, mas de duas
aulas, tal como certamente as prepara e administra aos seus alunos do
Secundário. Na edição impressa só tivemosespaço para a primeira, mas aqui
podemos “ouvir” já também a segunda.
(Tempos lectivos: duas aulas)

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Aula número 1 |
01 de Março de 2005 |
Sumário:
A partida do Restelo, rumo à Índia: circunstâncias históricas do acontecimento.
Leitura e análise do texto “Praia de Lágrimas” de João de Barros e visualização comentada do quadro de Columbano “O Velho do Restelo”.
“O Velho do Restelo”: leitura das estâncias 94-97 e análise da personagem – a velhice aliada à sabedoria; posição ideológica; enquadramento no ambiente; valor reflexivo e coral. Simbologia e perspectivas do Velho em relação aos descobrimentos.
Objectivos Específicos:
O aluno:
- contextualiza o episódio de “O Velho do Restelo” na obra Os Lusíadas; - descreve o contexto histórico do acontecimento; - interpreta correctamente o conteúdo das estâncias 94-97; - caracteriza física e psicologicamente o velho; - identifica a simbologia e perspectivas do Velho em relação aos descobrimentos; - indica a importância do episódio; - exprime o seu juízo crítico.Conteúdos:
- Contextualização do episódio de “O Velho do Restelo” na obra Os Lusíadas. - Contexto histórico; - “O Velho do Restelo”: - narrador; - assunto. - Caracterização física e psicológica o velho. - Simbologia e perspectivas do Velho em relação aos descobrimentos.
------------------------------ Momentos da aula ------------------------------
- O professor faz a chamada.
Motivação:
- Os alunos, orientados pelo professor, apontam as principais circunstâncias históricas da partida para a Índia: - divergências de opiniões quanto à empresa da Índia; - apoio de certo sector da Nação à guerra de cruzada no norte de África; - decisão de D. Manuel I; - escolha do comandante-mor; - a partida do Restelo ( 8 de Julho de 1497).- Os alunos, solicitados pelo professor, comentam o quadro de Columbano “Velho do Restelo” (p.322 do manual adoptado), relacionando-o com o texto “Praia de Lágrimas” de João de Barros (anexo I). A leitura do texto de Barros, seguida de comentário, visará especialmente três pontos, os que mais interessam fixar, com vista ao estudo do final do canto IV de Os Lusíadas:
- porquê “Praia de Lágrimas”; - quanto aos “juízos segundo cada um sentia daquela viagem”, eles seriam decerto variados, mas (concluirão os alunos) predominantemente pessimistas; sem custo se poderá imaginar que as vozes mais correntes seriam sobre os riscos da viagem, a incerteza do que os navegantes iriam encontrar, os grandes perigos a que iriam ser expostos; - e, quanto à “viagem posta em esperança”, não obstante “o fervor da obra e o alvoroço daquela empresa” (espírito de cruzada, gosto da aventura, orgulho de tomar parte naquele feito), todos sabem que partem para uma “incerta viagem”.Desenvolvimento da aula:
Os alunos:
- fazem a leitura silenciosa das estâncias 94-97 do canto IV do episódio de “O Velho do Restelo”; - lêem em voz alta as estâncias 94-97 do canto IV do episódio de “O Velho do Restelo”; - tentam estabelecer um paralelo com o texto “Praia de Lágrimas” de João de Barros e o quadro de Columbano “Velho do Restelo”: - concorrência de inúmeras pessoas; - as mesmas lágrimas; - os mesmos juízos pessimistas – incerteza e perigos da viagem; - o mesmo propósito firme dos marinheiros e a mesma saudade e dor subentendidas; - Camões concretiza, individualiza, o que é vago e geral em Barros; - indicam o narrador do episódio: Vasco da Gama; - identificam o assunto do episódio: acusação do Velho à ambição dos Portugueses / homens em geral;- fazem uma análise dos aspectos mais salientes do episódio (orientada pelo professor):
· análise da personagem:
- marca uma posição ideológica desfavorável, pessimista e de condenação relativamente à empresa da Índia; - a sua atitude exterior é o reflexo duma atitude interior: - “Postos em nós os olhos, meneando / Três vezes a cabeça descontente; a voz pesada um pouco alevantando...” são sinais exteriores de desaprovação; - “aspeito venerando”; - “cum saber só de experiências feito”; - “experto peito”; - como símbolo e personagem colectiva, representa uma corrente desfavorável à expansão para o Oriente, mas tolerante em relação à guerra no norte de África, traduz o medo pelo desconhecido e a hesitação pela novidade; - é uma personagem alegórica, quando representa a voz do bom senso e da fria razão; - assume o papel de coro trágico pela suas reflexões sentenciosas sobre a condição humana; - é uma personagem simbólica porque condena a cobiça, vaidade e a ambição desmedida dos homens, sendo por isso desfavorável à expansão para o Oriente;- analisado ideologicamente o episódio, compreendem todo o seu significado nacional, universal e humano:
- significado nacional: traduz, por um lado, a corrente de oposição à expansão para o Oriente; por outro lado, o reflexo das desastrosas consequências dessa expansão (reverso da medalha); - significado universal e humano: ele define a natureza humana por aquilo que verdadeiramente a caracteriza e é dela indissociável: insatisfação – fonte de progresso, mas também de infelicidade; - registam o trabalho de casa: leitura do texto “Simbologia do Velho do Restelo” (p. 322); - escrevem o sumário.* Sempre que necessário serão feitos registos no quadro.
Material:
- Manual adoptado: Vasco Moreira e Hilário Pimenta, Dimensão Comunicativa, Porto, Porto Editora, pp. 321-323. - Ficha de apoio policopiada: “Praia de Lágrimas” de João de Barros (Anexo I). - Quadro / Giz . - Caderno Diário.Avaliação:
- Avaliação contínua, mediante a observação directa da participação, empenho e interesse.Observações:
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Aula número 8 |
03 de Março de 2005 |

Sumário:
Simbologia e perspectivas do Velho em relação aos descobrimentos (revisão).
“O Velho do Restelo”: apreciação estética do episódio; processos estilísticos mais evidentes, em íntima relação com o conteúdo ideológico.
Objectivos Específicos:
O aluno:
- identifica a simbologia e perspectivas do Velho em relação aos descobrimentos; - analisa correctamente o conteúdo das estâncias 94-97; - identifica os vários processos estilísticos; - indica a importância do episódio; - exprime o seu juízo crítico.Conteúdos:
- Simbologia e perspectivas do Velho em relação aos descobrimentos. - “O Velho do Restelo”: - narrador; - assunto.- Figuras e recursos estilísticos:
- exclamação; - interrogação retórica; - adjectivação expressiva; - dupla adjectivação; - apóstrofe; - gradação; - anáfora.------------------------------ Momentos da aula ------------------------------
- O professor faz a chamada.
Motivação:
- Os alunos enumeram as ideias gerais contidas no texto “Simbologia do Velho do Restelo” (p. 322) que fazia parte do trabalho de casa. Deverão ser abordados os seguintes aspectos: · simbologia da ambição e da desobediência; · perspectivas do Velho em relação aos descobrimentos; · com a ajuda do professor, o aluno intertextualiza o episódio de “O Velho do Restelo” com o Auto da Índia de Gil Vicente, principalmente, no que diz respeito aos desamparos e adultérios.
Desenvolvimento da aula:
Os alunos:
- verificam que, muitas vezes, são ideais mesquinhos, mascarados de dignidade, que movem os homens, que por sua vez hão-de ser vítimas da sua própria ambição e vaidade; - indicam que pior que a mesquinhez disfarçada são as consequências funestas de tudo isso, as desgraças pessoais e sociais: mortes, perigos, tormentas, crueldade, desastres económicos “sagaz consumidora... de fazendas, de reinos e de impérios”, morais e sociais (desagregação das famílias e da sociedade); - constatam que o Velho não critica os portugueses, mas os sentimentos que os movem, sendo estes responsáveis pela “glória de mandar, vã cobiça; fraudulento gosto e dura inquietação”; - fazem uma análise estilística do episódio (os alunos, ajudados pelo professor, ao longo desta unidade, podem já ter identificado e explicado algumas figuras e recursos de estilo): - exclamações (estâncias 95 e 96) que traduzem as emoções do velho; - interrogações retóricas (estância 97) que mostram o descontentamento do velho; - adjectivações “velho; venerando; descontente; pesada; experto” – caracterização física e psicológica; - adjectivações expressivas “vã; fraudulento; dura; sagaz” - caracterizam principalmente a insatisfação humana; - dupla adjectivação “sagaz consumidora”; - apóstrofes “Ó glória de mandar; Ó vã cobiça; Ó fraudulento gosto”- traduzem as acusações e descontentamento do velho; - gradação “De fazendas, de reinos e de impérios!” – progressão ascendente; - anáforas “Que perigos; que promessas” (...); (...) - identificam a estrutura do excerto do episódio: - 1ª parte (estância 94) – introdução do discurso do velho; apresentação da personagem (caracterização física “velho de aspeito venerando; voz pesada” e psicológica “descontente; cum saber de experiências feto; experto peito”); - 2ª parte (estâncias 95-97) – reflexão sobre os perigos que conduzem o ser humano (frases de tipo exclamativo); enumeração sobre os perigos da ambição; interrogação sobre quais teriam sido as promessas que levaram os portugueses a tal aventura (frases de tipo interrogativo); - recebem uma ficha de trabalho do professor sobre o episódio de “O Velho do Restelo” (Anexo II); - resolvem individualmente o questionário da mesma; - corrigem a ficha de trabalho; - concluem que este episódio traduz , simbolicamente, a corrente de oposição à expansão da Índia: - o velho é uma personagem colectiva que simboliza a voz de todos aqueles que se opunham à louca aventura da Índia e preferiam a Guerra Santa no norte de África. - o discurso do velho exprime uma posição racional, fruto do bom senso e da experiência “tais palavras tirou do experto peito” e do sentido prático das vozes anónimas ligadas ao cultivo da terra, defensores de uma política de fixação, oposta a uma política de expansão; - registam o trabalho de casa: leitura do episódio do “Adamastor”; - escrevem o sumário.* Sempre que necessário serão feitos registos no quadro.
Material:
- Manual adoptado: Vasco Moreira e Hilário Pimenta, Dimensão Comunicativa, Porto, Porto Editora, pp. 321-323. - Ficha de trabalho policopiada sobre o episódio de “O Velho do Restelo” (Anexo II). - Quadro / Giz . - Caderno Diário.Avaliação:
- Avaliação contínua, mediante a observação directa da participação, empenho e interesse.Observações:
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