Gerir o tempo… Para quê?

Apresentação completa deste tema 

Por Fernando Pinho

(baseado em "Métodos para aprender", Porto Editora)

 
 

Recordo a resposta, com sabor a anedota, que um napolitano deu a um americano “escandalizado” por o ver deliciado na praia, numa tarde de sol primaveril em que, no país de Ford, ninguém podia dar-se a esse luxo…

– Porque não estás a trabalhar?
– Para quê?
– Para aproveitares o tempo, ganhares dinheiro e, um dia, teres uma vida regalada…
– O quê? Para ganhar a vida e poder passar férias?! – respondeu o napolitano, continuando a fitar o azul do mar distante. – Mas isso é precisamente o que já estou a fazer aqui…

E, contudo, aproveitar o tempo é necessário e não é tarefa fácil.

O tempo é talvez a única riqueza que é dada a todos por igual: 24 horas por dia, iguais para ricos e pobres, grandes e pequenos. A diferença está na sua… gestão: uns aproveitam-no; outros deixam-se levar por ele, vivendo ao sabor da corrente – ou das telenovelas!

Evolução da fadiga com poucas pausas longas (A) e com numerosas pausas curtas (B)  [Adapt. de Deprieuw]
 
Variação do rendimento intelectual
ao longo do dia

 

 

Para uma boa gestão do tempo pode ajudar um plano de trabalho, a longo, médio e a curto prazo, como instrumento útil para repartir de maneira coerente e inteligente as actividades de cada um pelas horas do dia.

Como escreveu Marguerite Yourcenar, “O tempo é um grande escultor”, mas um escultor exigente! Um plano de trabalho a curto prazo há-de ser heterogéneo, equilibrado e flexível. Tem de ser variado, ter as actividades distribuídas respeitando a chamada flutuação do rendimento intelectual, alternando tarefas exigentes com outras mais fáceis, por períodos de tempo que não ultrapassem o tempo de aquecimento dos neurónios – o cérebro precisa de ser frequentemente oxigenado – e ter em conta que as horas da manhã “rendem” mais do que as da tarde e que depois de uma boa refeição o sangue é preciso para a digestão, e não para difíceis cálculos matemáticos ou reflexões filosóficas.  

Horário
Actividades
  5.00
  6.00
  7.00
  8.00
10.00
11.00
12.00
13.00
15.00
17.00
18.00
 
19.00
20.00
21.00
Levantar; estudo até às seis
Missa
Estudo
Aulas
Debate sobre as matérias leccionadas
Almoço (ouvindo leituras da Bíblia)
Recreio
Estudo ou lições extraordinárias
Aulas
2º Debate [expressão oral]
Jantar (ceia), com interrogatório pelos mestres (para verificar se os alunos aprenderam a matéria)
Recreio
Estudo
Deitar

Mas, sobretudo, o plano de trabalho, sendo na realidade um horário das actividades de cada dia, deve ser pessoal e realista: deve ser formulado por quem tenciona cumpri-lo e adaptar-se às suas exigências e capacidades, sem demasiadas ambições!

Para que não sucedam esgotamentos físicos ou depressões nervosas por causa destas linhas!, não se recomenda hoje este Horário do COLÉGIO DAS ARTES (Coimbra, meados do séc. XVI) que, contudo, não deixa de ser eloquente quanto à necessidade de, após duas horas de aulas, haver uma de consolidação e reactivação da matéria leccionada!

 
 

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