Adeus, Irmã Lúcia

 

Partiu para a eternidade no passado dia 13 de Fevereiro uma Memória viva que tinha na nossa Escola não só a admiração de todos mas também diversos elos de ligação familiar. Estes são mais do que simples Testemunhos, escritos no dia 13 de Fevereiro

Rosas vermelhas
no dia 13


Por Filomena Vieira
Falar hoje da Irmã Lúcia parece um lugar-comum quando esta é a notícia de abertura de todos os telejornais e primeira página de todos os jornais nacionais e internacionais. Falar da Irmã Lúcia é mais do que anunciar um facto incontornável da nossa existência – o dia da morte. É mais que relembrar os factos que deram Fátima a conhecer ao mundo inteiro.
Relembrar a tia Lúcia é recordar as tardes que, com os meus pais e irmãos, íamos ao Carmelo de Santa Teresa a Coimbra. Éramos recebidos por um rosto sorridente e calmo que perante todas as nossas pequenas adversidades do dia-a-dia, nelas encontrava um lado positivo e revelador da mão de Deus na orientação das nossas vidas e em tudo aproveitava para evidenciar o seu testemunho e fortalecer a nossa fé.
A sua memória invejável levava-a sempre a recordar e a contar, com todos os pormenores, as peripécias da sua infância: eram as tardes de descamisada na eira, as fugas à mãe para ir brincar, as saídas para casa das vizinhas que tinham bebés, as brincadeiras próprias da idade com os primos e até as vezes que a mãe lhe ralhava por alguma pequena distracção ou falha.
Ouvi-la contar era delicioso pois sentíamos, claramente, o prazer com que o fazia e a alegria que revelava ao relembrar os pais, os primos Jacinta e Francisco… e todos aqueles que registara na sua memória desde criança e relembrava agora com um sorriso bem disposto. Contudo, estas idas ao Carmelo eram também inquietantes na medida em que temia sempre a pergunta “Rezas o terço todos os dias?” e eu sabia não poder responder afirmativamente e não me reconhecia merecedora, por tal, do privilégio de a visitar quando tantos outros, pela sua fé inabalável e exemplo de vida, seriam mais dignos de tal.
Agora que faleceu, lembro o dia em que lhe perguntaram se temia a morte. Imediatamente a resposta foi “Não. Eu sei que a Nossa Senhora e os meus primos me vêm buscar”. E foi o que aconteceu.
A simplicidade, a bondade das suas palavras, a dedicação à plena consagração a Deus em clausura, assim como a grande humildade de quem pedia “rezem por mim nas vossas orações”são o que recordarei.
Para si, hoje, as suas rosas vermelhas preferidas.

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Joana e Margarida Marto
(respectivamente aluna e professora no CEF)

Um dia tive o privilégio de conversar com a Irmã Lúcia.
No interior de um claustro frio, pude receber o calor humano de uma Irmã que estava ali para receber a família e dar uma palavra de conforto.
A presença deste ser transmitiu-me uma segurança e um carinho tão especiais que encorajam a viver mesmo quando a efemeridade desta passagem se torna mais evidente.
No meio de lágrimas e tantos sentimentos confusos pude apertar a mão a alguém que ouviu e compreendeu a minha dor.

Em muitas instâncias da nossa conversa fui transportada à altura das aparições através da história de vida da “vidente” de Fátima, contada na primeira pessoa: relatou quando pastava as ovelhas nos terrenos da sua família, das colheitas, das favas, do trigo e todas as actividades que eram desenvolvidas.
Todo o seu discurso era conotado pela ânsia de querer saber mais do que a vida de clausura lhe permitia.
E lá explicou ela como responde às pessoas quando lhe escrevem a pedir uma “graça”.
“Pois é: vou ao computador e escrevo as respostas a tantas cartas, mas depois guardo tudo para mais tarde ver se aquilo que foi publicado corresponde à verdade que eu um dia escrevi...”.
- E como é que aprendeu a escrever no computador?
- “Foram os senhores que vieram colocar o computador que me ensinaram”.
Uma simples conversa com a Irmã Lúcia pode transmitir um sopro de paz, de alegria e de tranquilidade muito para além do mundo finito.
É como uma jornada interior, que através do silêncio contemplativo e da oração permite um crescimento interior.
A vida pode ser mais do que um quadro a preto e branco, pincelado com um ruído ensurdecedor de inconsciência.
A Irmã Lúcia representava e representará sempre uma ponte entre a Terra e o Céu. E afinal quem é que disse que perfeição não existe?

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Testemunhos de Alunos

Orlando Santos 8°A

Fátima. Pastorinhos. Aparições. Lúcia. Quatro palavras, um só tema. O que significam os acontecimentos ocorridos em Fátima no início do século XX? Esta será decerto a pergunta mais frequente.
Fomos agora abalados pela morte da Irmã Lúcia, a última e a principal personagem viva das aparições. (...) A irmã Lúcia morreu aos 97 anos, no Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra, domingo, dia 13 de Fevereiro. O corpo da vidente, após as cerimónias fúnebres, será sepultado no convento onde a Irmã viveu durante quase 57 anos. Como Lúcia desejava, o seu corpo será transladado mais tarde para o Santuário de Fátima.
Numa breve síntese, esta religiosa nasceu em Aljustrel, teve uma infância de mimos e privilégios; contudo, passou por muitas tristezas, como o alcoolismo do pai. Pastora desde os seis anos, foi a 13 de Maio de 1917 que viu aparecer “a Senhora mais brilhante que o sol” (...). Em Outubro, deu-se o “milagre do Sol”: depois de uma forte chuvada, a tempestade parou e o sol rodopiou sobre a cabeça de mais de 50.000 pessoas. Após estes acontecimentos, Lúcia foi para a escola e, em Tuy (Espanha), tornou-se freira em 1944 escreveu cinco “Memórias” para recordar o que aconteceu na Cova da Iria. Desde Março de 1948, Lúcia viveu em clausura no convento de Coimbra, vindo à Cova da Iria em 1967, para se encontrar com Paulo VI, e depois nos dias 13 de Maio de 1982, 1991 e no ano 2000, quando João Paulo II veio a Fátima.
É impossível ficar indiferente a esta vida e a esta história, uma das mais importantes da nossa Igreja; no entanto, existem pessoas que não lhe dão qualquer importância. Na minha opinião, o mais importante desta realidade é a maneira como esta Aparição contribuiu para mudar o sentido de tantas vidas, não só a dos pastorinhos mas também a dos crentes, sendo assim mais uma prova que os assuntos religiosos têm importância.

Lígia Lopes 8°A

Dia treze de Fevereiro de 2005 foi com grande admiração que recebi a notícia da morte da Irmã Lúcia, com noventa e sete anos de idade – uma notícia que em breve chegou a todo o país e ao mundo inteiro.
Para muita gente pode parecer estranho que eu o interprete assim, mas é como eu a vejo, pois foi uma vida entregue à fé cristã.
(...)
Um dos acontecimentos que mais marcaram a vida da Irmã Lúcia foi a consagração da Rússia ao Coração de Maria, em que ela muito insistiu e que só em 1984 foi feita como ela dizia que Nossa Senhora queria, segundo as suas visões. Outro grande “mistério” foi o «Segredo» de Fátima, com a visão do inferno e do sofrimento dos mártires, que foi revelada pelo Papa no ano 2000 e se referia ao seu atentado, em 13 de Maio de 1981.
Com uma idade tão avançada, a sua morte era esperada pela própria com alegria, pois referia que assim era a vontade de Deus e até chegava a brincar com este tema que mete medo à maior parte das pessoas.
A Igreja católica e os fiéis em particular terão uma visão mais espiritual a partir deste momento em que a vida da vidente Lúcia chegou ao fim, pois ela deu grande projecção mundial ao fenómeno religioso de Fátima na fé dos cristãos.

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A Irmã Lúcia é uma referência para Portugal, é uma grande demonstração de fé, de carinho e de amizade, jamais será esquecida por aqueles que a seguiram e acompanharam a sua vida. A Irmã Lúcia ficará para sempre na história da Igreja católica. (Joana Manso, 8ºE)
A Irmã Lúcia foi uma pessoa que fez muita gente sorrir com simples gestos, que podiam ser de carinho, ajuda ou apenas um sorriso. (Hélder Gonçalves, 8ºE)
Penso que a Irmã Lúcia foi uma pessoa bondosa, carinhosa e manteve sempre o bom humor. (Carla Ribeiro, 8ºE)
A Irmã Lúcia viveu em Aljustrel com os pais e os primos Jacinta e Francisco e depois das Aparições foi para Coimbra. Esteve num convento até ao dia 13 de Fevereiro, quando morreu com quase 98 anos de idade. Para o seu funeral veio um cardeal de Roma muito importante, em nome do Papa de quem a Irmã Lúcia foi muito amiga. (Fábio Soares, 8ºE).

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