Esta Noite Choveu Prata

Carla Ferreira

O palco do auditório do Centro de Estudos de Fátima teve o privilégio de ser pisado pelo grande actor Nicolau Breyner.
Foi nos dias 24 e 25 de Abril que Choveu Prata e, de regresso aos palcos, Nicolau Breyner esteve simplesmente fantástico.
Num auditório que merecia estar cheio (mas cuja ausência de espectadores esteve, com certeza, por conta do fim-de-semana prolongado...) as noites foram de uma só estrela que nos iluminou de uma forma única.
A peça é uma comédia da autoria do dramaturgo nacionalizado brasileiro, Pedro Bloch, produzida pela Companhia Neoclássica de Teatro Comediante tendo como encenador Jô Soares (um brasileiro de peso...).
Neste monólogo, com muito humor, Nicolau Breyner interpreta três personagens distintas. Estamos numa cidade brasileira, no início dos anos 50, e a vida de três homens de nacionalidades diferentes, mas intimamente ligados pela história, é-nos apresentada ao longo de duas horas.
No Primeiro Acto, o actor interpreta duas personagens; a primeira é um português, Francisco Rodrigues, de maneiras rudes mas cuja alma é grande e generosa. Chegou ao Brasil sem nada mas a mão do seu amigo actor brasileiro, fê-lo subir na vida. A segunda personagem, o maestro Pietro Bonardi, italiano que tenta contar a tragédia da sua vida, cheia de paixão e entusiasmo, numa autêntica alma latina. Gosta de mulheres, as dos outros, mas gosta.
No Segundo Acto, o indivíduo que estava oculto numa cama, doente, mas cuja presença vai crescendo, ergue-se do seu leito, após a visita dos seus dois amigos e vive o seu extraordinário papel. Nesse momento descobrimos que estamos perante um velho actor brasileiro cujo papel da sua vida está prestes a terminar. Foi abandonado por todos, pela sua mulher, linda, de olhos verdes, e pelo filho que envergou por outros caminhos menos direitos. Restam-lhe os seus dois confidentes: Francisco e Pietro. Querem fazer-lhe uma homenagem, de final de carreira, mas não aceita... E eis que a sua eterna paixão quer voltar a vê-lo e aí, ... , aí choveu prata.
A peça tem uma linguagem simples e fantástica e foi, sem dúvida alguma, um privilégio ver um só actor interpretar três personagens tão distintas como o português de alma terna, um italiano, de grandes paixões latinas, e um velho brasileiro doente, em fim de carreira e amando as gentes desde o dia em que as conheceu.
E a ti, Nicolau Breyner, eu aplaudo e aplaudo e torno a aplaudir, de pé, pelo grandioso actor que és. Parabéns e regressa.


Metamorfose  em três personagens

Testemunho de José Paulo Carmo

Foi nos dias 23 e 24 de Abril que a cidade de Fátima recebeu um dos mais conceituados actores dos nossos tempos, a convite da Associação “Fátima em Movimento” e, como sempre, com a generosa colaboração do CEF.
O vencedor do Globo de Ouro 2004 na categoria de melhor actor, Nicolau Breyner, apresentou e representou a peça “Esta Noite Choveu Prata”, do realizador Sérgio de Azevedo, no Auditório do CEF.
Perante um público rendido ao seu talento e interpretando três personagens muito diferentes, Nicolau espalhou magia, com um monólogo divertido e emotivo, “falado” nas três linguagens (sotaques) das personagens, ao longo de uma hora e meia.
Para a história fica mais uma iniciativa “Fátima em Movimento”, proporcionando aos fatimenses um espectáculo de excelência, infelizmente sem a desejada e esperada adesão de público.

Dir-se-ia que em Fátima, nessas noites, choveu ouro!
 

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