
Muito se tem falado e continuará a falar da Educação. Qualquer nação ou
comunidade tem uma enorme preocupação com a Educação do seu povo.
Todos os governos reafirmam a sua vontade firme de apostar forte na Educação,
pois é o ponto de partida para o desenvolvimento dos seus povos.
Como Escola, não só sentimos, como vivemos constantemente esta problemática,
procurando ultrapassar todas as deficiências e carências com que nos
confrontamos todos os dias.
Não queremos nem podemos negar todo o esforço que governos sucessivos têm feito para melhorar o ensino, mas estamos certos de que se houvesse um pouco mais de coordenação, não haveria tantos avanços e recuos que em nada dignificam ou favorecem a melhoria do nosso ensino.
Todos reconhecem que, sem um bom ensino, não acontecerá um desenvolvimento sustentado e que possa competir nesta nova sociedade do século XXI. É portanto urgente que todos se mentalizem – alunos, pais, professores, sociedade em geral – para executarem plenamente esta tarefa, que é de todos.
Neste breve comentário gostaria de apontar algumas pistas que, embora não sejam
a solução, podem ajudar a encontrar um caminho que motive os nossos jovens.
Como Escola que procura estar inserida no meio, é enorme a pressão a que está
sujeita: os pais, os encarregados de educação, a política governamental, o
contexto social, todos exigem que ela seja o vector de desenvolvimento e que
resolva por si todos os problemas. Aquilo com que temos que nos debater é,
assim, alargado a todas as áreas: educação cívica, ecológica, criativa,
valorativa, sexual, integral, global... Perante tal panorama e um esquema tão
exaustivo e variado, como poderemos conseguir os objectivos?
O documento, publicado em Roma ainda pelo anterior Papa, “A Escola Católica nos umbrais do século XXI”, apresenta um diagnóstico da realidade educativa, confrontando-nos com os novos desafios dos contextos sociocultural e político: crise de valores, profundo pluralismo, mudanças estruturais aceleradas, acentuada diferença entre pobres e ricos, fenómenos de multiculturalidade, acentuada marginalização na Europa da fé cristã, novas necessidades que exigem novos conteúdos. Como se depreende desta análise, a Educação, dentro destes parâmetros, torna-se muito difícil e complicada.
João Paulo II, de feliz memória, denuncia as enormes fraquezas que sofremos na nossa cultura universal. Assim, ele insiste que “a cultura é um dos elementos fundamentais que constituem a identidade de um povo”. É aí que se afirma a vontade de ser como tal, sendo a expressão completa da sua realidade vital que a abarca na sua totalidade: valores, estruturas, pessoas. Por isso, a Evangelização que respeita e estimula a cultura, é a forma mais profunda, radical e global de um povo. Isso obriga-nos a concluir que é urgente recuperar uma vivência pessoal do transcendental; libertar-se e lutar contra o relativismo agnóstico; defender-se da cultura utilitarista em que nos submergimos; revoltar-se contra a cultura da violência e da morte, como algo inevitável; repudiar a cultura da droga, da aparência, da suspeita, da massificação.
Diante deste panorama e desafio, é urgente aproveitar todos os meios que nos permitam inverter esta marcha negativa e enveredar numa linha positiva que nos garanta um passo em frente na educação dos nossos jovens.
Estamos certos que não basta a implementação formal da Educação do Estado. Temos
que nos valer do esforço e experiência que as instituições de cariz religioso
têm feito nesta área. É necessário reconhecê-lo e estimulá-lo para que os
verdadeiros valores sejam alicerçados e garante do êxito deste trabalho.
Queremos que a Educação seja um processo que favoreça o florescimento permanente
das atitudes de toda a pessoa, como indivíduo e como membro da sociedade.
Queremos que o aprender se faça conhecendo, aprendendo a fazer, a viver juntos e
aprendendo a ser.