
Cília Seixo
Na sequência do projecto interdisciplinar realizado no passado ano lectivo, no final de Março, um grupo de 27 professores, aliás, professoras, de áreas disciplinares variadas, decidiu realizar uma viagem a Marrocos. A expectativa era grande, uma espécie de aventura para mulheres corajosas: cultura, religião, hábitos diferentes e principalmente….um país que ainda não reconhece a igualdade de direitos das mulheres!
Mensagem autógrafa do Guia do Grupo
em que diz que gostou imenso de nos conhecer, que fomos um grupo
fantástico e espera poder voltar a ver-nos e que todo o mundo tenha
a possibilidade de “ver os nossos olhos”...
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As emoções começaram no aeroporto e prolongaram-se ao longo da viagem: a chegada ao avião, pequenino, que provocou um arrepio nos mais “destemidos”, a recepção em Marraquexe por uma guia feminista vestida de forma tradicional que falava aos arranques, como se fosse sempre em primeira, as ruas, a música, os cheiros, tudo nos remetia para outro mundo bem diferente do nosso.
O ponto alto da viagem foi, sem dúvida, a ida para o deserto e a noite que lá passámos: a agitação da abertura das malas no hall do hotel, os turbantes brancos em todas as cabeças, os jipes ao despique, e depois!! A viagem de camelo em plena noite: o silêncio, as estrelas, a lua, o “swing” dos camelos, e pelo meio, os “ais” do assento dolorido…! Uma hora e meia e chegámos às nossas tendas, em pleno deserto! Aguardava-nos um jantar adequado à ocasião: “tajin” de carneiro com ameixas acompanhado do famoso “couscous”, servido, obviamente, por berberes e beduínos! A noite foi passada à lareira, mantida acesa com uma “bolotas” de matéria orgânica avidamente procuradas por diligentes colegas… claro que ninguém dormiu nessa noite, nem os que tentaram! O sol apanhou-nos a subir enormes dunas de um tom amarelo ocre; o frio da manhã era forte, mas aquilo que se avistava valia qualquer esforço: as nossas tendas pequeninas lá ao fundo, o contraste de sombra e luz nas dunas, o céu muito azul, e nós ali, muito pequenas, com frio, naquela imensidão de areia e céu…
Claro que os “ três resistentes” homens que nos acompanharam estavam preparadíssimos para negociar a nossa troca por camelos! Curiosamente, a tradição já não é o que era, nem mesmo num país muçulmano, e tivemos que ser nós, a protegê-los….