Gabinete de
Psicologia e Orientação
Multiculturalidade
Fernando Ferreira, Gabinete de Psicologia e Orientação
A questão da Multiculturalidade só nesta década adquiriu visibilidade nas Ciências Sociais em Portugal. Não por insuficiência da produção cientifica nacional relativamente à dos outros países, onde esta questão possui já ampla tradição de estudo, mas porque só recentemente tal problema emergiu na sociedade portuguesa. Pois, é a partir dos finais dos anos 80 que o fenómeno da imigração começa a ganhar expressão entre nós, representando uma viragem nas tendências migratórias tradicionais e, consequentemente, no tipo de questões que vem colocar à sociedade portuguesa.
Entregues à sua sorte, em terra estranha na língua, na cultura, nos hábitos e costumes, estes imigrantes sofrem alguns obstáculos: dificuldades de comunicação, precariedade de condições e a solidão.
A questão da Multiculturalidade torna-se pertinente no espaço escolar em relação às dificuldades de aprendizagem, devido ao deficiente controlo da Língua Portuguesa, tanto falada como escrita. Estas acarretam com certeza outras dificuldades no domínio da compreensão e memorização dos conhecimentos transmitidos nas diferentes áreas disciplinares.
Num trabalho em parceria com os professores do 8ºano (Coordenadora de Ano, Directores de Turma e Professores responsáveis pela Área de Projecto) foi levado a cabo um levantamento com o objectivo de saber quantos alunos estrangeiros existem na nossa escola, se sentiram dificuldades de integração e quais, e há quantos anos residiam em Portugal. Os resultados mostram que há alunos oriundos de França, Alemanha, Suíça, Cabo-Verde, Angola, Guiné-Bissau, Canadá, E.U.A., Ucrânia, Rússia, Brasil e Venezuela. Os alunos assinalaram como principais dificuldades sentidas: a língua, o método de estudo e o relacionamento. Porém, a maioria dos alunos afirma não terem sentido dificuldades.
Cá estamos, como sempre, disponíveis para projectos tão ambiciosos como este!
Uma descoberta permanente| Alexandre Santos, Tó
Neves, João Rodrigues |
Ana Rita Faustino,
Carolina Silva, Cristina Ferreira
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Carolina Rodrigues “O que era uma miragem é agora o nosso quotidiano. Tal como todas as realidades têm aspectos positivos e negativos também o nosso 10º ano está a tê-los. Como positivo, destaca-se o facto de termos conhecido novas pessoas com novos conhecimentos e perspectivas. |
Diana, Melissa, Sara
O grau de exigência e carga horária tem se vindo
a notar. Nas disciplinas mais específicas da área, temos que dedicar
um maior número de horas de estudo, este deve ser diário, a atenção
deve ser redobrada de modo a captar as ideias essenciais. |
Marta Pereira, André
Fontes Na nossa perspectiva o 10º ano é um desafio que nós queremos passar com mérito, mas sabemos das dificuldades que temos de passar ao longo destes três anos, até ir para um novo mundo (o Ensino Superior). Ao longo destes anos temos de ultrapassar diariamente tanto a nível escolar como pessoal. Não nos podemos esquecer que a escola é um projecto muito importante para o nosso futuro. |
Algumas breves conclusões• A
consciência da mudança por parte dos nossos alunos. |
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Sou
uma das raparigas que decidiu de livre vontade deixar o seu país, ao qual eu
tenho um grande amor, a Alemanha.
Chamo-me Nadine Patriarca Roth, tenho 17 anos e neste momento vivo em Caxarias.
Estou em Portugal à relativamente pouco tempo (3meses). Estou no 11ºE e tenho
tido bastantes dificuldades, tanto a nível escolar como a nível sentimental,
entre as quais posso destacar as saudades do meu país, da minha família e dos
meus amigos, o que é de esperar, pois estou cá sozinha. Para além disto, nunca
frequentei uma escola portuguesa (apenas a primária) e isso é visível, pois
reflecte-se nas minhas primeiras notas.
A adaptação tem sido mesmo muito difícil e não consigo largar as minhas raízes, pois parece que a Alemanha e Portugal se contradizem a si próprios, as diferenças são mais que muitas.
As minhas disciplinas preferidas eram a culinária e a educação sexual, que se dava desde muito cedo, pois a mentalidade dos adolescentes é muito aberta e mais receptiva a novas mudanças e experiências. Isto deve-se à independência dos jovens, que começam a trabalhar desde muito cedo, mais propriamente a partir do 9ºano.
Ao nível de País, o meu é muito mais desenvolvido: por exemplo, eu moro em Caxarias, uma vila muito bonita, mas em que as condições são extremamente diferentes a nível de infra-estruturas. Por outro lado, cá estou sempre dependente dos meus amigos para sair, devido ao transporte, e lá não, tenho mais facilidade em deslocar-me.
Como nota final, quero agradecer às minhas colegas de turma que me apoiam bastante e que fazem tudo para que eu me sinta bem neste meu novo ambiente.
Obrigada! Isto tem muita importância para mim.
Sílvia Vieira,
8ºF
Eu gostava de seguir enfermagem, por tantas razões que nem consigo explicar bem.
Uma talvez seja pelo o facto de ter estado no hospital durante um mês, ou talvez
por gostar de ajudar os outros. Sinceramente, nem eu sei bem o porquê.
Penso que ser enfermeira não só tem vantagens em ajudar os outros, como também traz muitas desvantagens: deve ser uma profissão complicada, porque, por vezes, há pouco tempo para passar com os filhos e o marido, e também afecta em termos de cansaço. Mas nunca se deve ir abaixo. Temos de pensar que estamos a ajudar muitas pessoas.
Falando mais em termos da profissão, ainda ontem estava a ver o telejornal e vi uma reportagem sobre os maiores hospitais do país: havia muita falta de médicos e enfermeiros, via-se que as condições não eram as melhores. Mas o que mais me intrigou foi ouvir comentários de pessoas a dizer que a culpa do mau funcionamento dos hospitais era dos funcionários do hospital, e que havia poucos.
São estas razões que me dão força de vontade para querer seguir o curso de enfermagem, porque sei que vou contribuir para um melhor funcionamento. Sei que sozinha não vou conseguir fazer nada. Por isso, escrevi este “texto”, para que quem gosta desta profissão não desista, quer por ter más notas, quer por os pais preferirem que tenha outras profissões. Devemos ser autónomos, escolher e reflectir o que nós realmente queremos.