Último Natal
Menino
Jesus, que nasces
quando eu morro,
e trazes a paz
que não levo,
o poema que te devo
desde que te aninhei
no entendimento,
e nunca te paguei
a contento
da devoção,
mal entoado,
aqui te fica mais uma vez
aos pés,
como um tição
apagado,
sem calor que os aqueça.
Com ele me desobrigo e desengano:
És divino, e eu sou humano,
não há poesia em mim que te mereça.
Miguel Torga, Diário 16
[Sugestão de José Amaro]
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É noite de Natal
É noite de Natal
Que bonito, que alegria!
Põe o cheirinho de canela
nos pratinhos de aletria!
Cai neve de mansinho,
Parece a serra um lençol.
Diz adeus ao ano velho,
de capote e cachecol.
A sala está decorada,
piscam luzes por todo o lado.
Brilham bolas no pinheiro,
e o presépio está montado.
Figos, passas e pinhões
há na mesa enfeitada.
Rapa, tira, põe e deixa
Prova lá a rabanada!
Que presente estará lá dentro
Naquela caixa embrulhado?
Foi o menino Jesus que o trouxe,
com papel muito brilhante,
e laços de fita dourada.
Recolhida e proposta por
Ana Cristina Oliveira, 6º A
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