Não só pelo gosto de...

...mudar!


Entrevista com a Coordenadora
do 2º e 3º ciclos do Ensino Básico, Prof.ª Ana Maria Lopes

Recepção aos alunos do II Ciclo.
As coordenadoras do 5 e 6º anos, à esquerda e à direita, respectivamente, Laura Silva e Isabel do Carmo.
Ao centro, a Coordenadora do Ensino Básico, Ana Maria Lopes

O CEF tem novas caras na coordenação dos ciclos de ensino e anos de escolaridade.
No início de um novo ano lectivo, a Prof.ª Ana Maria Carvalho Lopes, acedeu ao pedido do InforCEF para reflectir connosco sobre as linhas orientadoras que presidem ao novo triénio, enunciadas no Projecto Educativo de 2005-2008.


1. Para começar, gostaríamos de saber a sua opinião sobre o novo Projecto Educativo da Escola até 2008.

Em relação às linhas gerais, o Projecto Educativo mantém-se, embora com uma preocupação mais acentuada na promoção e defesa de determinados valores, como a solidariedade, a responsabilidade, etc. Em relação ao tema escolhido para ser desenvolvido até 2008, temos ainda uma ideia algo vaga acerca dele e é óbvio que ninguém sabe muito bem como é que ele vai ser posto em prática. Tendo este primeiro ano como objectivo sensibilizar professores e alunos para executar o projecto até 2008 – no último ano – ainda é cedo para se poder avaliar. Mas o tema – “construir pontes” – tem a ver, segundo creio, com os caminhos que se podem abrir ao aluno quando ele sair da escola, proporcionando-lhe escolhas, não só no prosseguimento de estudos mas também directamente no âmbito profissional e no mercado de trabalho.

2. Este ano houve mudanças significativas ao nível da coordenação… De que forma é que elas se articulam com os objectivos traçados para o novo triénio?

Uma coisa não tem muito a ver com a outra... Primeiro, houve a demissão da equipa coordenadora do Secundário do ano passado, e por isso foi necessário nomear outra estrutura de coordenação. Não tinha sido tomada nenhuma decisão de proceder a essa mudança, mas a demissão dos professores José Poças, Rosário Ribeiroe Maria João obrigaram a eleger uma nova equipa. Assim, a Prof.ª Teresa Verdasca, que já tinha muita prática de coordenação, transitou para o Secundário, uma vez que também é professora no Secundário. Quando a mim, foi uma escolha algo forçada, porque não estava mentalizada para isso. A decisão estará relacionada com uma certa prática que eu já tinha de coordenação – por exemplo, dos cursos da Via de Inserção Profissional, dos Operadores Comerciais, de Actividades escolares, etc. Não houve assim nada de especial. Quanto ao Projecto, não tem a ver com a Coordenação

3. Como encara a nova responsabilidade que assumiu como coordenadora do Ensino Básico?

Gosto sempre de desafios. Não sou uma pessoa para estar muito quieta. Mas já tenho uma idade em que eu pensava que iria… “descansar” um bocadinho. Mas, pela minha maneira de ser – gosto sempre da novidade… – não senti uma preocupação muito grande ao assumir o cargo. A única coisa que me fazia dizer que não – e ainda faz – é o factor tempo. Esperava ter tempo para fazer determinadas coisas que não tinham a ver com a escola. Agora, não posso, porque tenho estado diariamente ocupada com as novas tarefas que assumi. De resto, não tive grande preocupação: acho que algumas características que tenho, mesmo de, por vezes, “chatear” um bocadinho os colegas, ajudam a que tudo corra de forma normal.

Aspecto da “nova” Sala de Professores


4. Quais são as suas expectativas para este ano lectivo?

Isso depende… Em relação ao sucesso escolar, eu estou muito empenhada nisso. Pus esse objectivo em primeiro lugar: que não houvesse no fim do ano um número tão elevado de retenções como tem havido. No ano passado, no 9º ano, já conseguimos: reprovou muito pouca gente – esse foi também um objectivo a que me tinha proposto como coordenadora do 9º ano. Este ano queria alargar isso a todos os anos, sobretudo ao 6º ano, onde também no ano passado houve um elevado número de retenções. Mas este objectivo é para todos os anos – que todos consigam atingir o sucesso. Contudo, este sucesso deve ser realmente verdadeiro. Porque às vezes os alunos transitam de ano com um elevado número de níveis negativos, que por vezes nem sabemos bem como justificar e, nesse caso, o sucesso não é verdadeiro – eu queria que ele correspondesse mesmo à verdade. Este é o principal objectivo que me propus: não sei se vamos conseguir ou não, mas estou a fazer todos os esforços para isso, com apoios, tempos suplementares de estudo, em espaços e com acompanhamento adequados, etc.
Em segundo lugar – mas parece que não é muito fácil… –, gostaria também que se criasse um ambiente mais agradável entre os colegas. Penso que a razão por que não tem sido fácil é que há alguma fricção entre os colegas, e entre estes e os coordenadores, que me parece tem a ver com a história da “bolsa” de professores (NDR: disponíveis para desempenharem diferentes tarefas, como substituições, etc.). Se não houvesse a chamada “bolsa”, acho que estaríamos todos muito mais bem-dispostos e as relações entre as pessoas seriam melhores. Mas a bolsa criou alguma fricção… Mas não é possível, no fundo, fazer doutra maneira. E isso não tem afinal nada a ver comigo. Algumas pessoas até chegam a pensar que fui eu a responsável… A este respeito, já propus à direcção que esta “novidade” fosse explicada aos colegas. A opinião contrária da direcção justifica-se porque, na realidade, trata-se de aplicar a legislação em vigor, e todas as pessoas sabem ler! Bastaria ouvir com atenção os noticiários para perceber que esta medida é aplicada a nível nacional. E mais: mesmo que não tivesse sido estendida a todo o país, por imposição ministerial, o novo contrato colectivo de trabalho do Ensino Particular e Cooperativo já incluía esta medida, que entraria em vigor no nosso caso, mesmo se não se aplicasse a todo o país.

5. Este ano foi feito um grande esforço para adequar e melhorar os espaços da escola às necessidades da comunidade escolar. Acha que essas melhorias são suficientes e que vão favorecer um melhor desempenho escolar?

O que se fez foi melhorar, por exemplo, a Sala de Professores, com um ar mais moderno, arejado, e as salas de atendimento aos Encarregados de Educação – e nisso houve uma preocupação de adequar e renovar estes espaços, nos limites das nossas possibilidades financeiras, que não eram muitas. Em relação aos professores, procurou-se… arejar e criar um ambiente de trabalho mais agradável, onde as pessoas se sentissem melhor. Tenho estado a tentar, também, evitar que a Sala de Professores seja um espaço para resolver os problemas que vão surgindo no dia-a-dia – não estou a conseguir muito, porque os problemas são tantos que acabam por ser levados, e tratados, nesse espaço, que se tornou demasiado pequeno para todos… A ideia era que a Sala de Professores deixasse de ser uma espécie de “confessionário”. Para evitar isso, como já disse no início do ano, tenho uma hora, às terças-feiras (o horário está afixado no placar), para atender os coordenadores, os professores, para ouvir as queixas, etc., de modo a evitar que isso se faça na Sala de Professores. Contudo, tem sido difícil porque há sempre situações que têm de ser resolvidas de imediato e esse acaba por ser o único espaço disponível para situações que não se compadecem com burocracias e adiamentos… Os outros espaços dos alunos – foram fechados alguns espaços de recreio e tornados mais acolhedores outros – visavam o mesmo objectivo de serem mais acolhedores e favorecerem um bom ambiente de trabalho e estudo…
 

Placar do Ensino Básico, Novembro de 2005

6. No início do ano lectivo, houve um grande empenho das equipas coordenadoras em garantir a melhor organização e funcionamento do novo ano escolar, como deduzimos daquilo que acabou de referir. Acha que os professores têm correspondido a esse esforço?

Eu acho que sim. Apesar de haver às vezes alguma má-vontade e quem diga que os professores são simulados…, eu não acho que sejam. Em relação às equipas da coordenação, penso que tudo tem funcionado muito bem – tanto em coordenação, como os DTs. Estão todos muito envolvidos, os DTs muito empenhados. Acho que mesmo a nível dos… “papéis”, da documentação e da burocracia, as coisas têm corrido igualmente muito bem: os Projectos Curriculares estão acabados… Acho que tudo isso tem sido muito positivo. Mas isso, obviamente, não é só mérito meu. Realmente os coordenadores – todos eles – são muito exigentes no que diz respeito à burocracia, e são competentes. E isso também ajuda a que as coisas depois corram da melhor forma.

7. Tenciona promover algumas iniciativas para incentivar o relacionamento da escola com o meio envolvente, tendo em conta as suas especificidades?

Refere-se à especificidade do meio envolvente... Isso não me diz respeito directamente a mim. Depende mais dos departamentos. Foi feita uma planificação de actividades, e elas muitas vezes privilegiam o meio. É evidente que temos sempre essa preocupação – ainda ontem comentava (com a Prof.ª Alina) que é pena este ano não voltarmos a realizar o Bazar de Natal…, mas isso dá muito trabalho, as pessoas estão muito ocupadas, e o meio também não é assim muito aberto, pelo contrário – apesar de eu não ter dificuldade em me relacionar com o meio, por conhecer as pessoas. Contudo, faremos no Natal visitas a algumas instituições, alguns grupos irão às escolas do 1º Ciclo, e há outras iniciativas para abrir ainda mais a escola ao meio, e vice-versa: há portanto algumas actividades previstas nesse sentido.

8. Para finalizar, como avalia a posição que o CEF ocupa no ranking das escolas secundárias de Portugal?

A leitura que eu faço dos rankings é positiva. Acho que deve haver – apesar de outras pessoas acharem que não. Mas há pessoas que ficam baralhadas com a maneira como esse ranking é apresentado nos meios de comunicação. Vêem o número “cento e não sei quê” num jornal, vêem noutro a posição “sessenta e tal” (NDR: segundo os critérios de classificação do jornal Público o CEF ficou na 102ª posição no ranking, enquanto que o Expresso situou a nossa escola em 66º lugar), e não se sabe muito bem compreender as diferentes abordagens que os jornais fazem.
Eu acho que ficámos numa posição bastante boa, mas, mesmo assim, há dias fiquei um pouco triste ao ouvir alguns comentários aqui na escola, porque há sempre a tendência a valorizar muito o traba-lho só dos professores do ensino Secundário, como se o êxito fosse só deles! Eu acho que não podemos esquecer o trabalho feito no ensino Básico, pois se esse trabalho não tivesse sido bem feito, também não haveria bons resultados no Secundário! Muitas vezes não se valoriza devidamente esse trabalho!

Voltar à página do índice