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Recepção aos alunos do II Ciclo.
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O CEF tem novas caras na
coordenação dos ciclos de ensino e anos de escolaridade.
No início de um novo ano lectivo, a Prof.ª Ana Maria Carvalho Lopes, acedeu ao
pedido do InforCEF para reflectir connosco sobre as linhas orientadoras que
presidem ao novo triénio, enunciadas no Projecto Educativo de 2005-2008.
1. Para começar, gostaríamos de saber a sua opinião sobre o novo Projecto Educativo da Escola até 2008.
Em relação às
linhas gerais, o Projecto Educativo mantém-se, embora com uma preocupação mais
acentuada na promoção e defesa de determinados valores, como a solidariedade, a
responsabilidade, etc. Em relação ao tema escolhido para ser desenvolvido até
2008, temos ainda uma ideia algo vaga acerca dele e é óbvio que ninguém sabe
muito bem como é que ele vai ser posto em prática. Tendo este primeiro ano como
objectivo sensibilizar professores e alunos para executar o projecto até 2008 –
no último ano – ainda é cedo para se poder avaliar. Mas o tema – “construir
pontes” – tem a ver, segundo creio, com os caminhos que se podem abrir ao aluno
quando ele sair da escola, proporcionando-lhe escolhas, não só no prosseguimento
de estudos mas também directamente no âmbito profissional e no mercado de
trabalho.
2. Este ano houve mudanças significativas ao nível da coordenação… De que
forma é que elas se articulam com os objectivos traçados para o novo triénio?
Uma coisa não
tem muito a ver com a outra... Primeiro, houve a demissão da equipa coordenadora
do Secundário do ano passado, e por isso foi necessário nomear outra estrutura
de coordenação. Não tinha sido tomada nenhuma decisão de proceder a essa
mudança, mas a demissão dos professores José Poças, Rosário Ribeiroe Maria João
obrigaram a eleger uma nova equipa. Assim, a Prof.ª Teresa Verdasca, que já
tinha muita prática de coordenação, transitou para o Secundário, uma vez que
também é professora no Secundário. Quando a mim, foi uma escolha algo forçada,
porque não estava mentalizada para isso. A decisão estará relacionada com uma
certa prática que eu já tinha de coordenação – por exemplo, dos cursos da Via de
Inserção Profissional, dos Operadores Comerciais, de Actividades escolares, etc.
Não houve assim nada de especial. Quanto ao Projecto, não tem a ver com a
Coordenação
3. Como encara a nova responsabilidade que assumiu como coordenadora do
Ensino Básico?
Gosto sempre de desafios. Não sou uma pessoa para estar muito quieta. Mas já tenho uma idade em que eu pensava que iria… “descansar” um bocadinho. Mas, pela minha maneira de ser – gosto sempre da novidade… – não senti uma preocupação muito grande ao assumir o cargo. A única coisa que me fazia dizer que não – e ainda faz – é o factor tempo. Esperava ter tempo para fazer determinadas coisas que não tinham a ver com a escola. Agora, não posso, porque tenho estado diariamente ocupada com as novas tarefas que assumi. De resto, não tive grande preocupação: acho que algumas características que tenho, mesmo de, por vezes, “chatear” um bocadinho os colegas, ajudam a que tudo corra de forma normal.
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| Aspecto da “nova” Sala de Professores |
4. Quais são as suas expectativas para este ano lectivo?
Isso depende…
Em relação ao sucesso escolar, eu estou muito empenhada nisso. Pus esse
objectivo em primeiro lugar: que não houvesse no fim do ano um número tão
elevado de retenções como tem havido. No ano passado, no 9º ano, já conseguimos:
reprovou muito pouca gente – esse foi também um objectivo a que me tinha
proposto como coordenadora do 9º ano. Este ano queria alargar isso a todos os
anos, sobretudo ao 6º ano, onde também no ano passado houve um elevado número de
retenções. Mas este objectivo é para todos os anos – que todos consigam atingir
o sucesso. Contudo, este sucesso deve ser realmente verdadeiro. Porque às vezes
os alunos transitam de ano com um elevado número de níveis negativos, que por
vezes nem sabemos bem como justificar e, nesse caso, o sucesso não é verdadeiro
– eu queria que ele correspondesse mesmo à verdade. Este é o principal objectivo
que me propus: não sei se vamos conseguir ou não, mas estou a fazer todos os
esforços para isso, com apoios, tempos suplementares de estudo, em espaços e com
acompanhamento adequados, etc.
Em segundo lugar – mas parece que não é muito fácil… –, gostaria também que se
criasse um ambiente mais agradável entre os colegas. Penso que a razão por que
não tem sido fácil é que há alguma fricção entre os colegas, e entre estes e os
coordenadores, que me parece tem a ver com a história da “bolsa” de professores
(NDR: disponíveis para desempenharem diferentes tarefas, como substituições,
etc.). Se não houvesse a chamada “bolsa”, acho que estaríamos todos muito mais
bem-dispostos e as relações entre as pessoas seriam melhores. Mas a bolsa criou
alguma fricção… Mas não é possível, no fundo, fazer doutra maneira. E isso não
tem afinal nada a ver comigo. Algumas pessoas até chegam a pensar que fui eu a
responsável… A este respeito, já propus à direcção que esta “novidade” fosse
explicada aos colegas. A opinião contrária da direcção justifica-se porque, na
realidade, trata-se de aplicar a legislação em vigor, e todas as pessoas sabem
ler! Bastaria ouvir com atenção os noticiários para perceber que esta medida é
aplicada a nível nacional. E mais: mesmo que não tivesse sido estendida a todo o
país, por imposição ministerial, o novo contrato colectivo de trabalho do Ensino
Particular e Cooperativo já incluía esta medida, que entraria em vigor no nosso
caso, mesmo se não se aplicasse a todo o país.
5. Este ano foi feito um grande esforço para adequar e melhorar os espaços da
escola às necessidades da comunidade escolar. Acha que essas melhorias são
suficientes e que vão favorecer um melhor desempenho escolar?
O que se fez
foi melhorar, por exemplo, a Sala de Professores, com um ar mais moderno,
arejado, e as salas de atendimento aos Encarregados de Educação – e nisso houve
uma preocupação de adequar e renovar estes espaços, nos limites das nossas
possibilidades financeiras, que não eram muitas. Em relação aos professores,
procurou-se… arejar e criar um ambiente de trabalho mais agradável, onde as
pessoas se sentissem melhor. Tenho estado a tentar, também, evitar que a Sala de
Professores seja um espaço para resolver os problemas que vão surgindo no
dia-a-dia – não estou a conseguir muito, porque os problemas são tantos que
acabam por ser levados, e tratados, nesse espaço, que se tornou demasiado
pequeno para todos… A ideia era que a Sala de Professores deixasse de ser uma
espécie de “confessionário”. Para evitar isso, como já disse no início do ano,
tenho uma hora, às terças-feiras (o horário está afixado no placar), para
atender os coordenadores, os professores, para ouvir as queixas, etc., de modo a
evitar que isso se faça na Sala de Professores. Contudo, tem sido difícil porque
há sempre situações que têm de ser resolvidas de imediato e esse acaba por ser o
único espaço disponível para situações que não se compadecem com burocracias e
adiamentos… Os outros espaços dos alunos – foram fechados alguns espaços de
recreio e tornados mais acolhedores outros – visavam o mesmo objectivo de serem
mais acolhedores e favorecerem um bom ambiente de trabalho e estudo…
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| Placar do Ensino Básico, Novembro de 2005 |
6. No início do ano lectivo, houve um grande empenho das equipas coordenadoras em garantir a melhor organização e funcionamento do novo ano escolar, como deduzimos daquilo que acabou de referir. Acha que os professores têm correspondido a esse esforço?
Eu acho que
sim. Apesar de haver às vezes alguma má-vontade e quem diga que os professores
são simulados…, eu não acho que sejam. Em relação às equipas da coordenação,
penso que tudo tem funcionado muito bem – tanto em coordenação, como os DTs.
Estão todos muito envolvidos, os DTs muito empenhados. Acho que mesmo a nível
dos… “papéis”, da documentação e da burocracia, as coisas têm corrido igualmente
muito bem: os Projectos Curriculares estão acabados… Acho que tudo isso tem sido
muito positivo. Mas isso, obviamente, não é só mérito meu. Realmente os
coordenadores – todos eles – são muito exigentes no que diz respeito à
burocracia, e são competentes. E isso também ajuda a que as coisas depois corram
da melhor forma.
7. Tenciona promover algumas iniciativas para incentivar o relacionamento da
escola com o meio envolvente, tendo em conta as suas especificidades?
Refere-se à
especificidade do meio envolvente... Isso não me diz respeito directamente a
mim. Depende mais dos departamentos. Foi feita uma planificação de actividades,
e elas muitas vezes privilegiam o meio. É evidente que temos sempre essa
preocupação – ainda ontem comentava (com a Prof.ª Alina) que é pena este ano não
voltarmos a realizar o Bazar de Natal…, mas isso dá muito trabalho, as pessoas
estão muito ocupadas, e o meio também não é assim muito aberto, pelo contrário –
apesar de eu não ter dificuldade em me relacionar com o meio, por conhecer as
pessoas. Contudo, faremos no Natal visitas a algumas instituições, alguns grupos
irão às escolas do 1º Ciclo, e há outras iniciativas para abrir ainda mais a
escola ao meio, e vice-versa: há portanto algumas actividades previstas nesse
sentido.
8. Para finalizar, como avalia a posição que o CEF ocupa no ranking das
escolas secundárias de Portugal?
A leitura que
eu faço dos rankings é positiva. Acho que deve haver – apesar de outras pessoas
acharem que não. Mas há pessoas que ficam baralhadas com a maneira como esse
ranking é apresentado nos meios de comunicação. Vêem o número “cento e não sei
quê” num jornal, vêem noutro a posição “sessenta e tal” (NDR: segundo os
critérios de classificação do jornal Público o CEF ficou na 102ª posição no
ranking, enquanto que o Expresso situou a nossa escola em 66º lugar), e não se
sabe muito bem compreender as diferentes abordagens que os jornais fazem.
Eu acho que ficámos numa posição bastante boa, mas, mesmo assim, há dias fiquei
um pouco triste ao ouvir alguns comentários aqui na escola, porque há sempre a
tendência a valorizar muito o traba-lho só dos professores do ensino Secundário,
como se o êxito fosse só deles! Eu acho que não podemos esquecer o trabalho
feito no ensino Básico, pois se esse trabalho não tivesse sido bem feito, também
não haveria bons resultados no Secundário! Muitas vezes não se valoriza
devidamente esse trabalho!